quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Canto e o Encanto de Roberta Sá






Ainda bem que Roberta Sá não ganhou o FAMA, senão...só Deus sabe onde estaria hoje. Com certeza, mergulhada no anonimato. Mas a derrota no programa musical da Globo não a intimidou e a potiguar, radicada no Rio de Janeiro, foi trilhando aos poucos o seu sucesso. Resultado: com apenas 30 anos de idade, já contabiliza quatro discos gravados e um DVD lançado.

Em plena turnê de seu mais recente trabalho "Quando o Canto é Reza", eis que Roberta dá o ar de sua graça no palco do Teatro Tobias Barreto. Ela mesma, diz no meio do show, que está muito feliz em poder se apresentar pela primeira vez em Sergipe, já que sendo Estado do Nordeste como o seu Rio Grande do Norte, só por isso, é motivo de satisfação. Demorou muito para chegar esse dia, mas valeu a pena esperar.

O TTB totalmente ocupado, assistiu a um espetáculo primoroso e com preços populares (contrariando o pensamento dos pessimistas de que artista de qualidade, cobra caro pelo ingresso). Tudo bem que ela se apresentou pelo projeto MPB Petrobras, mas diante do preço do seu cachê, qualquer Secult ou Funcaju, se quisessem, já teriam trazido a moça prá cá antes.  

O fato é que contrariando novamente o pessimismo de outros, o público não estava lá apenas porque o ingresso era barato (talvez uma parcela tenha caído de pára-quedas sem nem saber ao certo quem era a guapa), mas pela interação da galera, acompanhando recorrentemente o refrão das canções, muita gente ali (incluindo a blogueira), conhecia de cor o repertório desse excelente disco, em que ela interpreta composições do baiano Roque Ferreira.

Acompanhada pelos excelentes músicos do Trio Madeira Brasil, só faltou a Roberta mais intimidade  com o samba no pé. Ela até que se esforçou, mas seu talento maior está localizado no gogó.  Sem dúvida, é com a voz que ela consegue hipnotizar a plateia. Como disse uma amiga minha, lá pelas tantas , "a voz dela é melhor ao vivo que no disco".

Levando-se em consideração que na gravação de um disco, utilizam-se  programas  entre outros  artifícios para "apagar" as imperfeições vocais, Roberta confirmou seu talento, de cantora afinada, voz melodiosa e  apurada técnica vocal. Em quase uma hora e meia de espetáculo, a cantora nos deixou em êxtase com seu canto e encanto. E o bis foi pouco diante da carência do público daqui em ouvir artistas desse quilate.

Se tudo der certo, porém, ela poderá aportar no TTB no segundo semestre, trazendo um show diferente, provavelmente "Pra Se Ter Alegria". Até lá, só nos resta colocar um dos seus discos no CD Player e sorrir, sem saber direito o porquê.

Texto e Fotos: Suyene Correia

ORSSE abre Temporada de Música de Câmara

Nesta sexta-feira, 08 de abril, às 19h, no hall do Palácio Museu Olímpio Campos, a Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE), sob a direção do maestro Guilherme Mannis, inicia sua Temporada 2011 de música de câmara. 

Direcionada para um público que admira o vasto repertório escrito pelos compositores para grupos seletos de instrumentistas, esta temporada apresentará nove concertos, alternados  entre dois locais: o Palácio Museu e a Biblioteca Pública Epifânio Dória, que possui auditório específico para esse fim. Os concertos serão realizados sempre nas últimas terças-feiras do mês, e este dia da semana, já tradicionalmente, dá nome a essa série tão especial: “Terças Musicais”.

A estreia desta temporada não poderia ser diferente: terá como ênfase as cordas, principal naipe da orquestra. Sob a regência de Guilherme Mannis e Daniel Nery, os músicos apresentarão duas obras inéditas no Estado: o Quinteto para cordas K.406, de Mozart, em versão orquestral de Mannis; a Suíte Holberg do compositor norueguês Edvard Grieg, e finalmente, o brasileiríssimo “Burrico de Pau”, da Sonata para cordas do compositor campineiro Antônio Carlos Gomes.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lançamento de "Xandrilá"

O Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira | Programa Olhar Brasil convida aos interessados no audiovisual para o lançamento do filme ‘Xandrilá’, das produtoras sergipanas SeteNove  e Gonara Filmes, que recebeu o apoio do  NPD com a cessão de equipamentos de iluminação e áudio.
 
Baseado no conto homônimo de Isaac Dourado, o filme busca levar verdades muitas vezes ignoradas pelas pessoas, como o sexo e as drogas, mostradas pelo ponto de vista de um drogado e de uma viciada em sexo.
 
A premiére será apresentada por Diane Veloso e acontece nesta quarta, 06, às 19h no Teatro Tiradentes (UNIT/Centro). Antes da exibição, o evento privilegiará o público com dois pocket shows dos artistas que fizeram a trilha sonora do Xandrilá: Patrícia Polayne e Karne Krua.

Enfim, Roberta Sá canta em Aracaju



Graças ao Projeto MPB Petrobras, os sergipanos poderão conferir in loco, a performance da cantora potiguar Roberta Sá, que amanhã e quarta-feira, a partir das 21h, apresenta-se com o  excelente Trio Madeira Brasil no Teatro Tobias Barreto.

Com o repertório do show baseado no CD "Quando o Canto é Reza"- disco que pode ser encontrado na Livraria Escariz Jardins- Roberta interpretará canções assinadas por Roque Ferreira (conhecido colaborador da baiana Mariene de Castro), explorando o samba de roda, do recôncavo, o coco, o maxixe e o samba carioca.  Destas, cinco são inéditas e bem afinada com Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas), Zé Paulo Becker (viola caipira e violão) e Ronaldo 'do Bandolim' (bandolim), a cantora promete um espetáculo de alto nível.

Fruto da pesquisa de três anos, "Quando o Canto é Reza" traz pérolas como "Marejada", "A Mão do Amor", "Cocada" e "Chita Fina" e contou com a produção de Pedro Luís e direção musical de Marcello Gonçalves. Com preços populares, os shows desta edição do MPB Petrobras têm ingressos à venda por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). O grupo sergipano Na Ponta da Língua realiza o show de abertura.

O MPB Petrobras conta com o patrocínio exclusivo da Petrobras e o apoio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura. Realização: Caderno 2 Produções Artísticas.

Texto: Suyene Correia

Legenda da Foto 1: Roberta Sá bem acompanhada pelo Trio Madeira Brasil (crédito Murilo Meirelles)

Revolucionário da Fotografia


 
“Precisamos revolucionar nosso pensamento visual”, já dizia o fotógrafo Aleksandr Ródtchenko (1891-1956) nos idos dos anos de 1920, época em que realizou uma verdadeira revolução na Rússia no âmbito cultural, juntamente com seus colegas construtivistas, Tátlin, Maliévitch e Maiakóvski.

Apesar de ser um exímio desenhista, bom pintor e escultor, foi como fotógrafo que Ródtchenko ganhou notoriedade e cerca de 300 trabalhos seus, entre fotografias, colagens e fotomontagens, podem ser conferidos na mostra “Aleksandr Ródtchenko: Revolução na Fotografia” que fica em cartaz até o dia 1º de maio, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Organizada pela Moscow House of Photography com curadoria de Olga Svíblova, a mostra que já aportou no Instituto Moreira Salles, de novembro de 2010 a janeiro de 2011, no Rio de Janeiro, é a primeira grande retrospectiva do fotógrafo no Brasil. Nela, podemos constatar o quanto o trabalho de Ródtchenko é arrojado, aliando experimentação formal a preocupações documentais sobre a vida política e social da União Soviética em seu período inaugural. O russo estimulou uma mudança na percepção das pessoas para com a fotografia, como também para com o papel do fotógrafo e pode-se imaginar o impacto que suas imagens causaram no início do século passado, observando-as hoje.

O ‘método Ródtchenko’, que incluía a composição diagonal bem como o encurtamento óptico e outros procedimentos, era o grande trunfo do fotógrafo russo, que chegou a ser acusado na revista Soviétskoe Foto de plagiar colegas de profissão como o alemão Albert Renger-Patzsch e o húngaro László Moholy-Nagy por conta de seus enquadramentos inusitados.

Mas ele rebateu as críticas, dizendo que “as imitações são inevitáveis e que isso inclui a fotoarte. Contudo, a inspiração deve vir não de modelos antigos e universalmente aceitos, mas de novas oportunidades, com as quais a arte começava a experimentar”.

Não é difícil, ao se deparar com as fotos de Ródtcha (como era conhecido pelos mais íntimos), perceber como ele seguia princípios que buscavam a base geométrica, cultivando o encurtamento óptico e pontos de vista abruptos (perspectiva angular), introduzindo esquemas geométricos na composição e tornando-a lacônica, de modo a lembrar a pintura abstrata.

A exploração do grafismo, dos enquadramentos de baixo para cima e de cima para baixo (de pessoas e da arquitetura), dos contrastes entre o primeiro plano e o fundo e “temas intensificados” marcaram um estilo especial na fotoarte, encorajando a formação da “fotografia de esquerda”, do fotoconstrutivismo.

Trabalhando ativamente de 1924 a 1954, Ródtchenko, no entanto, ficou célebre pelos retratos de sua mãe, de Vladímir Maiakovski, do “Pioneiro com Corneta”, de suas arrebatadoras perspectivas “Escadas”, “Moça com uma Leica”, “Mergulho do Alto”, fotos de esportes e circo e imagens da Moscou dos anos de 1920.

A primeira exposição em homenagem ao artista, morto em 1956, após um derrame, aconteceu postumamente, em março de 1957. Os trabalhos foram escolhidos pela viúva do fotógrafo, Varvara Stiepânova, e os visitantes da Casa Central dos Jornalistas de Moscou, onde ocorreu a exposição podiam ver anúncios, cartazes para filmes de Eisenstein e Vértov, trajes de teatro e designs de palco, capas de livros e fotomontagens. O objetivo principal dessa primeira exposição era assegurar que Ródtchenko e seu trabalho não fossem esquecidos.

“Aleksandr Ródtchenko: Revolução na Fotografia” que acontece agora, no Brasil, parece ter a mesma função, passados 55 anos de sua morte. Como diz sua filha, Varvara Ródtchenko, “sua arte continua viva e as pessoas ainda precisam dela”.
 
Pode-se constatar que essa afirmação não é pretensiosa, ao adentrar nos salões da Pinacoteca do Estado de São Paulo que abrigam os trabalhos do fotógrafo russo até o dia 1º de maio. 

Texto: Suyene Correia (que conferiu a exposição durante o Carnaval deste ano)

Legenda da Foto 1: O ângulo parece estranho, mas era assim que a arquitetura de Moscou ganhava novos contornos através das lentes de Ródtchenko

Legenda da Foto 2: O fotógrafo russo explorava cenas de esportes como a desse “Mergulhador”

sábado, 2 de abril de 2011

Desandando Geral (Parte II)

Para quem ainda não sabe, esta seção foi criada com o intuito de alertar os visitantes do blog, sobre eventuais derrapagens de bares e restaurantes da cidade para com a clientela. Às vezes, é uma conta que demora  horrores prá chegar e ainda vem contabilizada de forma errada, outras vezes é o prato que deixa a desejar, quando não, o atendimento de garçons e garçonetes passa longe do mínimo tolerável.

Ontem, depois de algumas tentativas frustradas de conferir o menu exótico do Bistrot Tamarind, finalmente consegui adentrar ao charmoso restaurante, que apesar de uma decoração caprichada, não possui espaço climatizado (em tempos de calor escaldante, é um pecado).

O restaurante que está localizado à Av. Beira Mar, 1354, também poderia disponibilizar para os clientes, um estacionamento seguro. O que acontece é que temos que deixar nossos veículos em estacionamentos de prédios próximos, porque na pista movimentada, é que não dá para parar.

Enfim, se fosse só isso...O problema é que calhou de eu conhecer o referido recinto, logo no dia que o barman não compareceu ao trabalho. Logo, meu desejo de apreciar os coquetéis à base de Shochu (conterrâneo do sakê) foi totalmente frustrado. Sem muitas opções (já que não gosto de vinho e de whisky) arrisquei na Heineken e, Graças aos Céus, estava bem geladinha.

O problema é que ao questionar à garçonete se o cardápio de pratos principais estava completo, ela foi citando alguns "senões", como o fato do pato com tofu não sair com o referido queijo, o arroz com shitaki e alho porró, não estar saindo com o alho (em falta ?), os lagostins estarem em falta por conta do defeso, entre outros porém.

Ainda que o meu camarão ao molho de ameixa com tamarindo e a pescada crocante (também experimentada) estarem gostosos, pagar por uma porção de arroz com shitaki, a módica quantia de R$ 9,50, é de causar uma indigestão.

Some a isso três Heineken (long neck) e a conta com 10% de serviço sai a R$ 140. Vou pegar o primeiro voo para  a Tailândia, mesmo com tsunami.

I Festival de Cinema Universitário de SE

Além do Curta-SE, que este ano comemora 11 anos de atividade, parece que Sergipe começa a ampliar o escopo quando o assunto é festival ligado à produção audiovisual. Pelo menos, os alunos do Curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe estão a fim de mudar este cenário e promovem no final deste mês,  o I Festival de Cinema Universitário de Sergipe (SERCINE). O evento, com iniciativa de aproximar o público e os jovens realizadores sergipanos da produção e do cenário cinematográfico univesitário do resto do país, ocorrerá entre os dias 28 de abril e 1º de maio de 2011.

A programação inclui mostras competitivas para produções universitárias, mostras informativas para a produção audiovisual sergipana, mostras especiais para curtas convidados premiados em outros festivais. Também serão realizadas mesas de discussão, oficinas, entre outras atividades de cunho científico e cultural. As mesas serão abertas ao público e as inscrições para participar das oficinas ainda serão iniciadas.


O Sercine conta com o apoio do Instituto Kipá, Sociedade Semear, Instituto Recriando, Fundação Aperipê, SESC e Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira | Olhar Brasil.