quarta-feira, 30 de junho de 2010

Vampiros "Atacam" o Cine Cult



Pois é, pessoal, mal o Projeto Cine Cult apagou as velinhas- no dia 15 de junho completou três primaveras na capital sergipana- e a Rede Cinemark decide "dar umas férias" ao Roberto Nunes (idealizador do projeto de cinema alternativo), nesse mês de julho, alegando adequação na grade de horários por conta do fenômeno "Eclipse".

Quem não curtir esses monstros moderninhos, vai ter que engolir uma programação restrita a filmes de animação (que bom que está passando "Toy Story 3" e vem aí, "Shrek- Capítulo Final"), romances melosos e...só. Nada de filmes como "Brilho de Uma Paixão", "Olhos Azuis", "Flor do Deserto", "A Jovem Rainha Vitória" só para citar alguns que estrearam em Salvador e que bem poderiam ser exibidos no Cine Cult.

Se já estamos em desvantagem com relação às estreias nacionais de muitas películas, com esse desfalque, então?? Espero que esse monopólio em breve caia por terra e que espaços alternativos como o Cinema da Rua 24 Horas, o Espaço Cultural Banese e o futuro Centro Cultural do Município de Aracaju cheguem para fazer a diferença.

E que chegue logo, "Este Querido Mês de Agosto".

Texto: Suyene Correia

Legenda das Fotos: Se preferir assistir à "Jovem Rainha Vitória" (foto 1) ou "Brilho de Uma Paixão" (foto 2) compre uma passagem antes para fora do Estado. Para conferir "Eclipse" (foto 3), a economia será bem maior, mas a qualidade da diversão... 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ORSSE participa do Festival de Inverno de Campos do Jordão

Antes da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) embarcar para o interior paulista, a fim de participar do 41o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão (domingo, às 16h, na praça do Capivari), ela se apresenta nesta quinta-feira, no Teatro Tobias Barreto, juntamente com o violinista Daniel Guedes.

A apresentação desta quinta-feira, a partir das 20h30, no palco do teatro local, será uma espécie de première do concerto que a ORSSE irá realizar no próximo domingo na cidade serrana sob a regência de Guilherme Mannis. No programa, onde constam peças de Dvorák, Schumman e Sarasate, o destaque fica por conta da "Toccata Amazônica" do compositor Dimitri Cervo (que estará em Aracaju) para conferir de perto a estreia de sua composição sendo executada por uma orquestra completa.

Quem não quiser ficar de fora deste evento, melhor garantir seu ingresso que já se encontra à venda na bilheteria do teatro ao preço de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Mais informações pelos telefones 3179-1491/1480.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Paulínia Festival de Cinema 2010

Contagem regressiva para a abertura da 3a edição do Paulínia Festival de Cinema que acontece no dia 15 de julho. No evento, que prossegue até o dia 22 de julho, com exibição de 27 filmes (12 longas e 13 curtas nas mostras competitivas), haverá a projeção, fora de competição, de cópia restaurada de "O Beijo da Mulher Aranha" de Hector Babenco, cineasta homenageado do evento e do filme "400contra1- Uma História do Crime Organizado" de Caco Souza.

O evento conta ainda com realização de seminários, debates, lançamento de livros e DVDs e uma Mostra Paralela, de 16 a 21 de julho, às 16h, no Theatro Municipal de Paulínia que exibirá entre outros títulos "Cabeça a Prêmio" de Marco Ricca, "Eu e meu Guarda Chuva" de Toni Vanzolini e "Gui, Estopa e a Natureza" de Mariana Caltabiano. A entrada é franca para todas as exibições e aberta ao público, excetuando a abertura e encerramento do festival que se destina apenas a convidados.

Ao todo serão distribuídos cerca de R$ 650 mil  em dinheiro para os melhores filmes em diversas categorias.
A realização do evento é da Prefeitura Municipal de Paulínia, através da Secretaria Municipal de Cultura com patrocínio da Quanta, apoio institucional da Imprensa Oficial do estado de São Paulo e apoio do Vitória Hotéis.



sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rogério Sganzerla "ocupa" o Itaú Cultural




Pena que voltei de São Paulo dois dias antes da "Ocupação Rogério Sganzerla" tomar conta do belo prédio do Itaú Cultural. Pior ainda, foi ter perdido os ciclos de filmes relacionados com o cineasta (realizados por ele, sobre ele ou contextualizados dentro de seu cinema) que aconteceu 09 a 13 de junho (primeira etapa) e de 16 até amanhã (segunda etapa) com exibição de títulos como"O Bandido da Luz Vermelha" (1968), "A Mulher de Todos" (1969),  "Copacabana Mon Amour" (1970), "Irani" (1983), entre outros.

A ocupação, no entanto, segue até 18 de julho e quem for a Sampa neste período, não deve perdê-la. Sob a curadoria de Joel Pizzini, a mostra permite um acesso direto ao universo pessoal e criativo do realizador e é composta de roteiros completos e originais do cineasta, anotações, trechos de filmes perdidos ou recuperados, fotos e objetos pessoais.

Seguindo o conceito da série de ocupações apresentadas no instituto desde o ano passado- com Nelson Leirner, Zé Celso, Paulo Leminski, Abraham Palatnik e Chico Science- esta mostra estabelece um diálogo da geração atual com um de seus inspiradores.

"A obra de Sganzerla é enigmática, desconcertante e luminosa. Seria incoerente colocar a poética de um visionário em exposição com espírito estritamente museológico", observa Pizzini. Assim, ele, com o Núcleo de Audiovisual do Itaú Cultural, Helena Ignez (viúva do cineasta) e suas filhas Sinai e Djin saíram em busca de todo o material produzido por ele, textos esquecidos, filmes perdidos, signos, luzes, objetos e ideias que remetem à sua vida e obra.

A ocupação fica em cartaz até o dia 18 de julho Itaú Cultural (av. Paulista, 149) e pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 11 às 20h. Entrada franca.

Texto: Suyene Correia

Legenda da Foto : Helena Ignez em cena de "A Mulher de Todos" (crédito da foto: Peter Overbec)

Adeus, Saramago...

Nunca li um livro do Saramago. Nem mesmo "Ensaio Sobre a Cegueira" que ganhou adaptação cinematográfica nas mãos de Fernando Meirelles. Pode parecer uma coisa inacreditável, mas...não é. Prá falar a verdade, conheço muita gente que nunca "leu" o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1998. E se o fez, foi pela curiosidade de conhecer alguma obra de um ganhador deste prêmio tão reverenciado.

Claro, que os admiradores brasileiros do escritor português, morto hoje pela manhã (horário de Brasília) em sua residência nas Ilhas Canárias, vítima de falência múltipla dos órgãos, podem ter começado a seguir seus passos antes mesmo dos sucessos de "Memorial do Convento" (1982), Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984) e "A Jangada de Pedra" (1986). Como também poderiam já conhecê-lo desde a época em que versava.

Mas acredito que o polêmico "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991) foi o grande provocador das massas de leitores brasileiros. Depois, seguiram-se outros livros de estrondosa vendagem por aqui como "Ensaio Sobre a Cegueira" (1995), "As Intermitências da Morte" (2005), "A Viagem do Elefante" (2008) e "Caim" (2009) seu último trabalho.

De qualquer forma, o único escritor de Língua Portuguesa a ganhar um Nobel deixa um legado de 20 romances, três livros de contos, cinco peças de teatro, quatro livros de crônicas e três livros de poesia. Talvez seja uma boa hora de homenageá-lo. Quem sabe ? 

“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles,  infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”. (José Saramago)

terça-feira, 15 de junho de 2010

De "Pernas pro Ar"


Quinta e sexta-feira, a partir das 21h, o palco do Teatro Tobias Barreto irá receber a atriz e bailarina Cláudia Raia com o espetáculo “Pernas Pro Ar”. Com argumento de Luís Fernando Veríssimo, texto de Marcelo Saback e direção de Cacá Carvalho, o espetáculo cria o ambiente da divertida história de uma dona de casa, que canta e dança a aventura de mudar de vida através de grandes sucessos da música mundial.

“Pernas Pro Ar” é sobre um sonho. Um sonho cuja protagonista, Helô, é sonhada. É sonhada para experimentar uma outra vida fora da sua realidade cotidiana de dona  de casa muito exemplar. Nesse sonho, ela experimenta e vive encontros em situações atípicas, inusitadas. Suas pernas descontroladas a levam para inúmeras aventuras, dançando loucamente e correndo territórios desconhecidos. Dessa forma, tenta encontrar a chave para um novo modo de viver.

Cláudia Raia foi ousada na montagem e, após três anos longe dos palcos, estudou as possibilidades tecnológicas que gostaria de mostrar. Assim, “Pernas Pro Ar” conta com projeções volumétricas, softwares, sensores, câmeras e projetores. São 20 toneladas de equipamentos e uma equipe com mais de 150 pessoas envolvidas na montagem do espetáculo.


A Coddart, empresa especializada em cenografia digital, projeção em volumes e projetos de interatividade tornou viável essa inovação. A inédita tecnologia utilizada no musical é a responsável por tornar real a imersão da personagem em seus próprios sonhos, como em uma cena em que a personagem de Cláudia Raia gosta de um vestido na vitrine da loja e, imediatamente, o vestido é projetado em seu corpo. Ou dos diabinhos que andam junto ao fogo.

O elenco de “Pernas Pro Ar”, primeiro musical dirigido por Cacá Carvalho, conta com as participações especiais dos atores Marcus Tumura e Ruben Gabira, além de nove atores-bailarinos. Sete músicos executam a trilha do espetáculo ao vivo, sob a regência e direção musical de Paulo Nogueira, para as versões musicais realizadas por Bibi Ferreira, Sylvia Massari, Zé Rodrix e Cláudio Botelho.
Quem não quiser perder o musical, os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro com preços que variam de R$ 140 (inteira), na plateia, a R$ 120, R$ 80 e R$ 40 (inteira) no mezanino.


Sobre o workshop- No dia 18 de junho, às 16h30, no Teatro Tobias Barreto acontece o workshop “Como criar um Musical de Grande Porte e fazer uma turnê pelo Brasil” que terá como ministrante a atriz Cláudia Raia e parte do corpo criativo da montagem do espetáculo “Pernas pro Ar”. O público alvo são os professores, alunos, músicos e artistas das artes cênicas  da cidade Aracaju, autônomos ou vinculados a instituições culturais e de ensino. São 300 vagas para maiores de 14 anos e com acesso gratuito. As inscrições estão sendo feitas na Academia Studium Danças, através de ficha de inscrição, ou pelo e-mail rdproducoes@emsergipemail.com enviando nome completo, endereço completo, telefones, e-mail, área de atuação (dança, teatro, música, etc.) e ainda, se representa alguma escola ou instituição. Para maiores informações: 3214-3209 / 3044-7013.

Texto: Suyene Correia

Foto de  Leo Aversa

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Cinema de Uma Mulher Só

Carmina saiu de casa como sempre, bem antes do horário da sessão do cinema. Ela tinha a tarde de sexta-feira livre para fazer o que quisesse, mas toda semana era a mesma coisa: programava um cineminha, tivesse ou não companhia. Naquela tarde ela estava só. Entrou na sala 02 daquele complexo de cinema do shopping mais antigo da cidade, 15 minutos antes das 14h e ficou esperando o ritual acontecer.

Ouviu aquela sequência musical que já sabia por demais decorada, esperou que alguns parcos espectadores aparecessem, mas...Estava tudo diferente. Seria o efeito da Copa ? A verdade é que nos seus 32 anos de carreira como cinéfila, nunca havia assistido a um filme no cinema de forma "privada".

Olhou para um lado, para o outro, olhou por cima do ombro e não viu uma sombra sequer. Estava solitária, literalmente. Mas não tinha problema, até achava bom. Aquele cinemão todo só para ela. Que maravilha!! O problema é que "uma andorinha não faz verão" e naquele caso, especificamente, não tinha força suficiente para sensibilizar o projecionista.

"Será que esqueceram de mim ?", pensou Carmina. Afinal, o filme estava com 10 minutos de atraso e nada de começar, nada das luzes sequer apagarem. O jeito foi se levantar da poltrona e perguntar a um dos funcionários lá fora se estava na sala correta. Estava sim. O problema é  que haviam se esquecido dela.

Voltou à sala achando que a sessão seria tranquila, afinal o que poderia perturbar seus 120 minutos de deleite com aquele filme de Ken Loach ("À Procura de Eric") ? Graças a Deus não tinha trailer. Não é que lá pelo meio do filme, a projeção começa a apresentar problemas? Não é possível, as cabeças dos atores estão cortadas...

Demorou sentada um pouco, na esperança do "abençoado" projecionista se ligar no problema. Ledo engano. Ficasse ela ali sentada mais um pouco e assistiria a um filme com visão de bifocal. Sai correndo, tropeça no degrau, mas não cai. Fala com a mesma funcionária sobre o novo problema e a jovem prontamente "passa o rádio"  informando ao colega sobre a intercorrência.

Já tinha perdido uns dois minutos de filme nesse meio tempo e ninguém  teve o bom senso de retornar "a fita" até o ponto nevrálgico. Ainda bem que o filme não era russo, nem sul-coreano. Seu inglês era sofrível, mas como a cena perdida só teve socos e pontapés, ficou no lucro.

Aconchegou-se novamente na poltrona, respirou fundo e comeu um cookie. Bateu uma sede depois, mas quem disse que ela se levantaria dali ? Só quando o filme acabasse. "Chega de stress", pensou. Cedo demais. Como Carmina tinha saudades daqueles cinemas de bairro...

Não é que faltando meia hora pro filme terminar, o problema das cabeças cortadas voltou. A vontade que Carmina tinha era de sair dali e não voltar mais. Tantas interrupções...antes tivesse esperado a película sair em DVD. Daria no mesmo.
Respirou fundo, não iria jogar seus míseros tostões no lixo. Quando apontou no meio do corredor, a funcionária a olhou e, imediatamente, "passou o rádio", acompanhando-a até a sala, com olhar de desconfiança. "Estaria essa garota duvidando de mim? Achando que eu estou querendo confusão?"

Nem um pedido de desculpas ouviu. Saiu à francesa da sala, que Carmina só ouviu o "baque" da porta se fechando. "Ufa!! Finalmente, a tortura acabou". Carmina não estava se referindo ao filme, mas de todas aquelas paradinhas sem direito a "Rebonine, Por favor". Decidiu que a partir de então, não queria mais ter  o cinema só prá ela.

Texto: Suyene Correia