quinta-feira, 4 de junho de 2009

Para o Imbuaça, "O Mundo Tá Virado..."














Em "O Mundo Tá Virado, Tá no Vai ou não Vai. Uma Banda Pendurada, a Outra em Breve Cai”, - o novo espetáculo do Grupo Imbuaça- vemos uma crítica bem humorada à cultura de massa, ao consumo exagerado e ao capitalismo selvagem, através do cordel.


Foi juntando fragmentos dessa literatura popular, que o diretor Iradilson Bispo - que também assina o belo figurino e a trilha sonora- compôs um universo povoado de personagens da Comédia Dell' Arte (será que estou 'viajando' nessa alusão?) e do mundo contemporâneo.


Os primeiros surgem no início da peça hipnotizando logo de cara a platéia - que se encontra em cima do palco, distribuída em cadeiras e arquibancadas- com uma rica indumentária, bem evidenciada pela iluminação. Cantam, fazem as honras da casa e num primeiro ato, anunciam mais ou menos o que está por vir.


A partir de então, o humor calcado em tipos populares toma conta da cena, como é o caso do religioso que juntamente com o seu filho George Washington tenta persuadir as pessoas a contribuírem com algum trocado para uma causa nobre; o vendedor de CD/DVD Pirata de Filmes Pornôs que a todo custo tenta convencer o público de que seus produtos são os melhores; o representante picareta de produtos milagrosos, seja na linha de cosméticos, seja na linha dos comestíveis que tenta convencer uma dona de casa, viciada em Ana Maria Braga, a consumir seus "produtos mágicos", entre outros.


É importante chamar a atenção para o fato de que a interatividade com a platéia é condição sine qua non para o sucesso do espetáculo. O próprio Lindolfo Amaral, um dos fundadores do Imbuaça, me confidenciou que a estreia em Aracaju, no Teatro Tobias Barreto, no dia 22 de maio, teve uma receptividade fria dos espectadores, bem diferente do que aconteceu em na capital gaúcha.


No entanto, no dia 30, parece que o público estava mais animado e achei o resultado do espetáculo para a sua quinta apresentação ( eles mostraram esse espetáculo em três ocasiões no 1º Festival Nacional de Teatro de Rua de Porto Alegre em abril passado) acima da média, embora a peça não consiga segurar o riso do público initerruptamente. Há altos e baixos, tanto por conta da interpretação de alguns jovens atores, como também pela demasiada duração de algumas esquetes.


Destaco o trabalho do ator Carlos Wilker que interpreta George Washington , além da experiência de Lindolfo Amaral, Isabel Santos, Manoel Cerqueira e Rita Maia. O legal é ver o elenco se renovando sobretudo com atores que participaram do Projeto "Nosso Palco é a Rua", desenvolvido pelo Grupo Imbuaça.


O Imbuaça continua no caminho certo. Só espero que, em breve, eles se apresentem novamente com esse "Mundo Tá Virado" e que não deixem "A Banda Cair".


Texto e Fotos: Suyene Correia


Um comentário:

Robson Viana de Lima disse...

(este comentário na verdade se refere à postagem anterior.)

uau!

os três títulos mais badalados de cannes 2008 numa mesma semana! já garanti o meu ingresso para a virada, mas quanto ao ENTRE OS MUROS DA ESCOLA você tem alguma informação sobre como se dará a venda das entradas? no dia ou antecipadamente?

estou curioso quanto a VALSA COM BASHIR. quero ver se ele é mesmo bom ou se se trata, a exemplo de PERSEPOLIS (outro filho de cannes), de mais uma animação com leves tintas políticas supervalorizada. espero que não.

GOMORRA é um trabalho muito bom. assisti a ele em DVD. não concordo com quem o compara a CIDADE DE DEUS. são totalmente diferentes. enquanto CIDADE assume um tom, digamos, romântico, GOMORRA é mais seco, mais realista. CIDADE é mais pop, mais vibrante. GOMORRA é modorrento. o roteiro de CIDADE tenta, com sucesso, uma aproximação entre público e personagens. o roteiro de GOMORRA mantém um distanciamento crítico de seus protagonistas. características diferentes sem as quais ambos não teriam sido tão bons. depois quero saber o que você achou de GOMORRA.

podemos apostar que o filme surpresa será uma produção verde-amarela? até agora foi assim, não foi?

abraço.