quarta-feira, 18 de julho de 2018

46o Festival de Cinema de Gramado acontece de 17 a 25 de agosto

Falta apenas um mês para a realização da 46a edição do Festival de Cinema de Gramado, que esse ano, acontece de 17 a 25 de agosto, na serra gaúcha. A programação que durará nove dias, inclui, não somente as mostras competitivas, mas também debates, homenagens e atividades paralelas.

Uma dessas atividades paralelas é o Gramado Film Market que chega à sua segunda edição como programação oficial do festival, focada na discussão e na reflexão de pontos cruciais da atividade audiovisual, no gargalo de escoamento e nas parcerias nacionais e internacionais. Para esse ano, o Gramado Film Market se concentra em três frentes de discussão: plataformas de exibição, internacionalização de conteúdos ibero-americanos e no futuro das salas de exibição.

Sobre os filmes selecionados para as mostras competitivas, ao todo, serão nove títulos na competitiva de longas-metragens brasileiros, cinco longas-metragens estrangeiros, 14 curtas-metragens brasileiros e 20 representantes de curtas gaúchos. Assim, como na edição passada, foram responsáveis pela curadoria os críticos de cinema Rubens Ewald Filho e Marcos Santuario e a produtora e gestora cultural argentina Eva Piwowarski.

Os longas selecionados foram: "10 Segundos Para Vencer" (RJ) de José Alvarenga Jr.; "O Banquete" (SP) de Daniela Thomas; "Benzinho" (RJ) de Gustavo Pizzi; "A Cidade dos Piratas" (RS) de Otto Guerra; "Ferrugem" (PR) de Aly Muritiba; "Mormaço" (RJ) de Marina Meliande; "Simonal" (RJ) de Leonardo Domingues; "A Voz do Silêncio" (SP) de André Ristum e o "Avental Rosa" (SP) de Jaime Monjardim.

Também inaugurado na edição passada, o projeto do filme convidado de honra do Festival de Cinema de Gramado é mantido esse ano. Após a estreia com o Canadá, agora é a vez da Itália marcar presença no evento para compartilhar com o público as tendências, novidades e reflexões de suas produções e exibições cinematográficas.

Os homenageados da 46a edição do Festival de Cinema de Gramado serão o cineasta e animador Carlos Saldanha que receberá o Troféu Eduardo Abelin e o ator Ney Latorraca que receberá o Troféu Cidade de Gramado.


quarta-feira, 11 de julho de 2018

Nocaute Seco

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 Charlotte Rampling imprime um tour de force em "Hannah"

Amanhã, entra em cartaz no Cinema Vitória (Rua do Turista- Centro de Aracaju), "Hannah", o segundo longa-metragem do diretor italiano Andrea Pallaoro. O filme, que participou da competitiva da 74a edição do Festival de Veneza, saiu do evento com o prêmio de Melhor Atriz, concedido a Charlotte Rampling, numa performance irretocável. 

A atriz inglesa já nos tinha presenteado com duas interpretações memoráveis neste século: como Marie Drillon em "Sob a Areia" (2000) de François Ozon e como Kate Mercer em "45 Anos" de Andrew Haigh (por essa atuação, Rampling recebeu o Urso de Prata de Melhor Atriz e foi indicada ao Oscar). Coincidentemente, duas personagens que saem de sua zona de conforto, quando têm que lidar com situações adversas em torno do casamento, aparentemente estável. 

Em "Hannah", não será muito diferente, porém mais angustiante. Durante 95 minutos, acompanhamos o cotidiano da personagem homônima, numa rotina preenchida pelo trabalho como empregada doméstica, as aulas de teatro e a natação num clube. Aos poucos, tomamos ciência de que o marido (André Wilms) cometeu um crime e foi condenado à prisão, ao mesmo tempo que esse ocorrido afastou Hannah  do seu único filho e do neto. Ainda que ela tente uma reaproximação, o filho (Simon Bisschop) a despreza. Mas Pallaoro, que assina o roteiro juntamente com Orlando Tirado, não revela tudo à plateia. Pelo menos, de forma taxativa. 

Em parte, ele confia a Charlotte Rampling, através de sua interpretação minimalista- com expressões e reações contidas-, a função de ativar nossa percepção para o que, de fato, orbita na vida da personagem, esvaziada de relações interpessoais, mas repleta de emoções represadas. Hannah vive na esperança de que algo lhe alente. Os momentos de ensaio para apresentação de uma peça ou mesmo a tentativa de relaxamento na piscina são tentativas de minimizar suas angústias alimentadas pelo medo da solidão e do desamparo. Mas o dia-a-dia lhe corrói a alma, pesa em seus ombros. O cachorro não quer comer, sentindo falta do dono; o filho não atende aos seus telefonemas; a certeza de que o marido é inocente, transforma-se em dúvida. 

Mas também, é pela maneira como constrói a mise-en-scène, com rigor, sem "gorduras", que o cineasta convida o público a espreitar a intimidade da protagonista, envolta em camadas. Se para o mundo, Hannah parece passar despercebida- ironicamente, o personagem que mais interage com ela, é o filho cego da patroa - é porque Pallaoro reforça essa sensação, na escolha dos enquadramentos; opta por uma paleta de cor insípida (contando com o auxílio luxuoso do diretor de fotografia Chayse Irvin) e se apropria dos ambientes em que a protagonista circula de uma maneira peculiar (mérito também da diretora de arte Marianna Sciveres).

"Hannah" é uma experiência voyerística angustiante, dolorosa, mas recompensadora (ainda que algumas perguntas não sejam respondidas). Graças a uma Charlotte Rampling iluminada, nesse combate entre realidade e negação, a luta é vencida por nocaute. No entanto, não é Hannah quem cai, ela que nos derruba...

sexta-feira, 6 de julho de 2018

13o Fest Aruanda segue com Inscrições Abertas até 10 de Agosto

Até o dia 10 de agosto, os realizadores do audiovisual que estiverem interessados em concorrer  nas categorias de curta-metragem e TV Universitária do 13o Festival Aruanda, podem acessar o site http://festaruanda.com.br/inscricoes/ e realizar a inscrição.

Uma novidade desta edição é que os curtas-metragens terão que ter, obrigatoriamente, duração de 15 minutos (incluindo créditos). A mudança se deve a uma reorientação baseada na própria legislação da Ancine (Agência Nacional de Cinema) que estabelece o tempo de 15 minutos como duração máxima para um filme ser enquadrado na categoria Curta-Metragem.

Nesse sentido, entende a organização do festival que a produção de um curta, pelo que sugere o próprio nome, significa, na prática, o desafio de dizer em 10 ou 15 minutos o que se comunica em um média ou longa-metragem, com uma hora ou mais de duração.

O Festival Aruanda acontecerá de 6 a 12 de dezembro, no Cinépolis do Manaíra Shopping e  contará com a parceria e patrocínio da Energisa-PB e do Armazém Paraíba.

46o Festival de Cinema de Gramado divulga 14 Curtas na Mostra Competitiva

No próximo dia 10 de julho, a coordenação do Festival de Cinema de Gramado irá divulgar a lista completa de filmes concorrentes ao Kikito, entre longas brasileiros e estrangeiros e curtas gaúchos. No entanto, foram revelados nesta semana os 14 títulos brasileiros, no formato curta-metragem, que serão projetados na tela do Palácio dos Festivais durante o evento serrano, que acontece entre os dias 17 e 25 de agosto.

Para avaliar os 365 filmes inscritos neste formato, o Festival de Cinema de Gramado contou com uma comissão de seleção formada pela diretora Camila de Moraes; a produtora e diretora Karine Emerich; o ator e produtor Sérgio Fidalgo; o professor e escritor Stephen Bocskay, professor e escritor; e a produtora e diretora Tatiana Sager.

Confira abaixo a lista dos filmes selecionados para a mostra competitiva de curtas-brasileiros do 46º Festival de Cinema de Gramado:

"À Tona" (DF) de Daniella Cronemberger

"Apenas o Que Você Precisa Saber Sobre Mim" (SC) de Maria Augusta V. Nunes

"Aquarela" (MA) de Thiago Kistenmacker e Al Danuzio

"Catadora de Gente" (RS) de Mirela Kruel

"Estamos Todos Aqui" (SP) de Chico Santos e Rafael Mellim

"Um Filme de Baixo Orçamento" (SP) de Paulo Leierer

"Guaxuma" (PE) de Nara Normande

"Kairo" (SP) de Fabio Rodrigo

"Majur" (MT) de Rafael Irineu

"Minha Mãe, Minha Filha" (ES) de Alexandre Estevanato

"Nova Iorque" (PE) de Leo Tabosa

"Plantae" (RJ) de Guilherme Gehr

"A Retirada Para Um Coração Bruto" (MG) de Marco Antonio Pereira

"Torre" (SP) de Nádia Mangolini

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Apaixonante, Van Gogh

Com Amor, Van Gogh_divulgação_http://bangalocult.blogspot.com
 "Com Amor, Van Gogh" de Dorota Kobiela e Hugh Welchman

Inicialmente, um ótimo ANO NOVO, para os meus velhos e  novos seguidores!!! Que 2018 seja bastante cinematográfico!! E, pelo andar da carruagem (tendo em vista os bons títulos em cartaz no Cinema Vitória (localizado à Rua do Turista, centro de Aracaju), penso que teremos, sim, um ano promissor em matéria de estreias audiovisuais em Aracaju.

Nessa primeira postagem do ano, gostaria de chamar a atenção para um filme que estreou em dezembro de 2017, mas que pode fazer bonito na corrida para o Oscar, na categoria Longa de Animação. Trata-se de "Com Amor, Van Gogh" da dupla de artistas visuais e diretores, Dorota Kobiela e Hugh Welchman, que há uma década, decidiram se debruçar num projeto ambicioso: filmar um longa-metragem a partir de telas pintadas animadas.  Para isso, escolheram a vida e obra de Vincent Van Gogh para retratar na telona, partindo do episódio misterioso de sua morte, em 29 de julho de 1890, aos 37 anos.

Depois de uma boa acolhida pelo público, na 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a produção que foi distribuída pela Europa Filmes, segue em cartaz, em algumas capitais brasileiras e já ultrapassou a marca de 65 mil ingressos vendidos. A história começa um ano depois da morte de Van Gogh, com Armand Roulin (Douglas Booth), filho do carteiro e amigo do pintor holandês, Joseph Roulin (Chris O'Dowd), à procura de Theo, para lhe entregar uma carta do irmão morto.

Theo não é localizado e Armand visita algumas pessoas que tiveram contato com o artista pós-impressionista, antes de sua morte, em Auvers. Surge uma dúvida: teria Van Gogh se suicidado mesmo ou ele teria sido assassinado ? (versão aventada pelos biógrafos Steven Naiefh e Gregory White Smith, no livro "Van Gogh- a Vida", lançado em 2011, no Brasil, pela Cia. das Letras).  Personagens como Dr. Gachet (Jerome Flynn), sua filha Margaret (Saoirse Ronan) e Adeline Ravoux (Eleanor Tomlinson), que foram retratados por Van Gogh durante a sua breve existência, ajudam a Armand compreender melhor a personalidade ora frágil, ora conturbada do pintor.

Enquanto a narrativa se desenvolve, didaticamente, escorando-se em flashbacks, para o espectador, pouco importa qual a versão verdadeira da história. O fato é que Vincent Van Gogh morreu aos 37 anos, deixou cerca de 900 telas prontas em apenas 9 anos de trabalho e, apesar de ter vendido apenas um quadro, em vida, sua genialidade pictórica foi consolidada ao longo das décadas seguintes.

É indescritível a sensação de apreciar uma tela do pintor holandês num museu. O excesso de tinta, as pinceladas ágeis, as cores vibrantes e uma certa distorção espacial contribuem para se atingir um estado de quase êxtase. "Com Amor , Van Gogh" leva-nos a uma sensação similar. Agora, projetadas no ecrã, não há como avaliar a textura das imagens, as pinceladas foram produzidas por mais de 100 diferentes artistas e o valor tonal pode até se aproximar do real, mas não é o autêntico. Por outro lado, os milhares de frames em movimento e o trabalho obsessivo dos técnicos na tentativa de, finalmente, promover o "encontro" da pintura com o cinema,  soa recompensador.

Apesar da fragilidade do roteiro e de uma certa obsessão dos diretores em reproduzir um número significativo de situações e colocar em cena, modelos que serviram de inspiração para o pintor criar suas telas, o filme ganha o espectador pela emoção e preciosismo técnico, tendo grande chance de vencer o Globo de Ouro na categoria específica- de Filme de Animação- neste domingo e concorrer na mesma categoria no Oscar 2018.