sábado, 10 de novembro de 2018

"Chacrinha: o Velho Guerreiro" chega aos Cinemas Brasileiros


Chacrinha (Nercessian) entre as chacretes no seu programa televisivo


Uma figura como Chacrinha, deveria despertar o interesse não só do público  jovem- para conhecer quem foi esse fenômeno midiático da história do Rádio e da TV brasileira- como também da galera de mais de 40 anos, que se divertia muito com o  apresentador escrachado -ainda que muitas de suas brincadeiras, sejam consideradas politicamente incorretas. Mas o filme que teve estreia, na última quinta-feira, em circuito nacional, aqui em Aracaju, parece ainda não ter encontrado seu público. Na sessão de ontem, à tarde, no Cinemark Riomar, apenas eu e mais três pagantes na plateia.

Na tela, Eduardo Sterblitch e Stepan Nercessian vivem o personagem título com naturalidade (diferentes épocas) em "Chacrinha: o Velho Guerreiro" que ora diverte, emociona e faz com que viajemos no tempo através dos sucessos da época, interpretados por artistas como Criolo, Laila Garin (Clara Nunes) e Luan Santana. Muito bem dirigido por Andrucha Waddington, o longa-metragem conta com um elenco de coadjuvantes à altura dos atores principais, destacando-se Carla Ribas (Florinda), Rodrigo Pandolfo (Jorge), Pablo Sanábio (Nanato/Leleco), Gustavo Machado (Oswaldo) e Thelmo Fernandes (Boni).

O longa foca na carreira de José Abelardo Barbosa de Medeiros, pernambucano, que chega ao Rio de Janeiro sem um tortão no bolso (após uma tentativa fracassada de baterista no conjunto de um navio) e decide ficar, apostando apenas no talento  como comunicador, para encontrar "seu lugar ao sol". De garoto propaganda de uma loja de tecido, torna-se radialista e chega até a TV, onde não tarda a fazer um sucesso estrondoso. Algumas histórias de bastidores são abordadas no filme, revelando um homem, por vezes, amargurado por conta das relações familiares; irascível, quando o assunto era sua autonomia no trabalho, tendo embates com Boni da Globo, mas também afetuoso com as mulheres e com fama de mulherengo.

Ainda que não aprofunde em alguns aspectos pessoais, o roteiro de Cláudio Paiva traça um panorama abrangente e interessante da carreira artística do "Velho Guerreiro", mostrando seus altos e baixos e o poder de reação frente às tragédias familiares. A direção de arte assinada por Rafael Targat, a fotografia de Fernando Young e o figurino a cargo de Marcelo Pies são um show à parte.

Para quem ainda não foi assistir ao principal lançamento nacional da semana, fica a dica. Mas corra, pois como é filme brasileiro, pode ser que seja tarde demais, quando você resolver conferi-lo no cinema.
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