quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cine Vitória recebe pela quarta vez o Festival Varilux de Cinema Francês


"Um Doce Refúgio" será exibido amanhã às 17h

O dilema de freiras grávidas é abordado em "Agnus Dei" 

A partir de amanhã, o Cine Vitória- localizado à Rua do Turista- recebe, pelo quarto ano consecutivo, o  Festival Varilux de Cinema Francês. A 7a edição do festival, que prossegue até o dia 22 de junho em mais 49 cidades brasileiras,  traz uma programação composta de 15 filmes inéditos, além do clássico "Um Homem, Uma Mulher" de Claude Lelouch, que completa cinco décadas de sua estreia nos cinemas e foi o vencedor da Palma de Ouro em 1966 e também do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e roteiro original no ano seguinte. 

Infelizmente, esse clássico protagonizado por Jean Louis-Trintignant e Anouk Aimée não será exibido em Aracaju, mas o público local poderá conferir "Chocolate" de Rochsdy Zem e "Meu Rei" de Maïwenn- produções que participaram da abertura do Festival de Cannes de 2015- além de "Flórida" de Philippe Le Guay, "Um Doce refúgio" de Bruno Podalydes, "A Corte" de Christian Vincent, "Lolo, o filho da minha namorada" de Julie Delpy e a premiada animação "Abril e o Mundo Extraordinário" de Franck Ekinci e Christian Desmares, vencedor do troféu Cristal no Festival de Annecy, voltado para produções dessa natureza.

Completam a lista: "Viva a França!" de Christian Carion, "Marguerite" de Xavier Giannoli, "O Novato" de Rudi Rosenberg, "La Vanité" de Lionel Baier, "Um Amor à Altura" de Laurent Tirard, "Os Cowboys" de Thomas Bidegain, "Um Belo Verão" de Catherine Corsini e "Agnus Dei" de Anne Fontaine.

Com esse aumento do número de dias da programação, também cresce a chance do público poder conferir todos (ou quase) os filmes. Os ingressos serão vendidos ao preço de R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia). O intervalo entre uma sessão e outra será de apenas 15 minutos. Abaixo, você confere a programação completa do Festival Varilux de Cinema Francês 2016:

Quinta- 09/06
13h10Lolo, o Filho da Minha Namorada
15:h00Os Cowboys
17h00Um Doce Refúgio
19h00Agnus Dei

Sexta- 10/06

13h0 Abril e o Mundo Extraordinário
15h Chocolate
17h10 Lolo, o Filho da Minha Namorada
19h00 Marguerite
Sábado- 11/06

13h15 O Novato
14h50 Abril e o Mundo Extraordinário
16h50 Um Amor à Altura
18h45 Meu Rei
Domingo- 12/06

13h00 Abril e o Mundo Extraordinário
15h00 Chocolate
17h10 Lolo, o Filho da Minha Namorada
19h00 Marguerite

Segunda-13/06
13h15 Lolo, o Filho da Minha Namorada
15h05 Flórida
17h10 Um Belo Verão
19h10 Viva a França!
Quarta-15/06
13h Um Belo Verão
15h Meu Rei
17h25 O Novato
19h Os Cowboys
Quinta-16/06
13hO Novato
14h35Marguerite
16h55Flórida
19hChocolate
Sexta-17/06

13h15 La Vanité
14h45 Os Cowboys
16h45 Agnus Dei
18h55




Sábado18/06
Um Doce Refúgio  




12h45 Abril e o Mundo Extraordinário
14h45 Chocolate
16h50 Marguerite
19h10 Lolo, o Filho da Minha    
Namorada                     
Domingo- 19/06

13h O Novato
14h35 Abril e o Mundo Extraordinário
16h40 Meu Rei
19h05 Um Amor à Altura
Segunda- 20/06


13h15 Meu Rei
15h40 Lolo, o Filho da Minha Namorada
17h30 O Novato
19h05 Os Cowboys
Terça-21/06
13h15 Flórida
15h20 La Vanité
16h50 Viva a França!
19h Um Belo Verão 

Quarta-22/06
13h15 Um Doce Refúgio
15h15 Um Amor à Altura
17h35 La Vanité
19h05 A Corte

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

TOP 6 da 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


"O Botão de Pérola": um dos melhores da 39a Mostra 

Oficialmente, a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, encerrou suas atividades no dia 4 de novembro, mas, a já tradicional “repescagem”, contando com 27 títulos, foi encerrada na última quarta-feira, no acender das luzes da sessão de “A Grande Guerra” de Mario Monicelli, no CineSesc. Para quem desconhece, a “repescagem” é uma espécie de segunda chance que o evento cinematográfico paulista promove para os cinéfilos que não conseguiram conferir determinados títulos. Geralmente, esses filmes são os mais populares, mas também o espaço é dado para aqueles que, por alguma razão, não puderam ser exibidos na programação normal, caso do dinamarquês “Guerra” de Tobias Lindholm (inclusive, estava na minha lista inicial, mas tive que substituí-lo pelo “Nômade Celestial”, uma grata surpresa do Quirguistão).

Pena que eu voltei dois dias antes da Mostra acabar, porém, nos 11 dias de maratona, pude assistir a 42 filmes, das mais diversas nacionalidades e um punhado de títulos premiados, que tiveram os ingressos disputados pela crítica e pelos cinéfilos. Mas nem todos atenderam às expectativas do público. Alguns foram bem decepcionantes, como o vencedor da Palma de Ouro em Cannes, “Dheepan- o Refúgio” de Jacques Audiard; o brasileiro “Boi Neon” de Gabriel Mascaro, vencedor do Festival do Rio e Prêmio Especial do Júri na Mostra Horizontes; “A Ovelha Negra” de Grímur Hákonarson, vencedor da Mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes e “A Bruxa” de Robert Eggers, que foi bastante elogiado no Sundance Festival.

Na verdade, não teve um título que me “desestruturasse” (no bom sentido). Dois ou três filmes muito bons, alguns medianos e tantos outros desastrosos. A seleção de filmes que fiz, seguiu, basicamente, os seguintes critérios: premiação em festivais e diretores que eu já conhecia a filmografia e aprovo. Depois, foi na base das sinopses e trailers mais instigantes. O legal mesmo, é com o passar dos dias, você trocar ideias com os cinéfilos e colegas críticos. De repente dá para trocar “o certo pelo duvidoso”, mesmo assim, não dá para combinar seu gosto com o de todos, não é mesmo ?

Longe de querer criticar filmes de forma mais incisiva- como eu poderia fazer com os fracos “O Verão de Sangaile”, “A Jornada de Chasuke”, “Kurai Kurai” e “A Anos-luz”-, irei me deter nos seis títulos mais interessantes da minha modesta lista: “O Botão de Pérola” de patrício Guzmán, “O Filho de Saul” de László Nemes, “Desde Allá” de Lorenzo Vigas, “Pardais” de Rúnar Rúnarsson, “Ixcanul” de Jayro Bustamante e “O Culpado” de Gerd Schneider. Farei uma série de seis postagens, para analisar cada um separadamente.

Disparado “O Botão de Pérola” do chileno Patricio Guzmán é o mais elaborado de todos. Eu já tinha ficado impressionada com o primeiro filme de sua nova trilogia documental sobre a ditadura, “Nostalgia da Luz” (2010), em que faz um belo paralelo entre as descobertas empreendidas pelos astrônomos que trabalham no Deserto do Atacama e o grupo de mulheres abnegadas, que exploram o solo desse mesmo deserto, atrás de ossadas dos desaparecidos durante a Ditadura de Pinochet. Agora, em “O Botão de Pérola”, segundo filme dessa trilogia, Guzmán viaja ao extremo sul do Chile, na região da Patagônia atrás dos últimos remanescentes de etnias indígenas que habitaram o lugar inóspito até o final do século XIX. Nessa época, um nativo foi levado para a Inglaterra em troca de alguns botões. Seu nome ficou sendo Jemmy Button e ele simbolizou a derrocada das civilizações ancestrais daquele lugar, que começaram a ser dizimadas por navegadores e colonos criadores de gado.

Guzmán, então, avança várias décadas e mostra como no governo de Salvador Allende (1970-1973), os poucos nativos do sul do país conseguem alguma voz. Ao mesmo tempo, logo após a tomada do governo, pelo general Pinochet, as terras distantes do sul, mais precisamente, a ilha de Dawson, vai servir de prisão para vários que se rebelavam contra a Ditadura. O diretor também aborda como as forças armadas se desfizeram de centenas de corpos no Oceano Pacífico. Partindo do caso específico do corpo de uma mulher, vítima de tortura e encontrada numa praia, ele alinhava a história do botão de pérola daquele nativo que não conseguiu se readaptar à sua terra natal com a de outro botão, encontrado no fundo do mar, preso a um dos trilhos de trem, que servia de peso para afundar os corpos dos  desaparecidos políticos. 

Com maestria, Guzmán sabe narrar como ninguém, as histórias dolorosas do Chile com poesia e rara beleza. Obrigatório!

    

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Festival de Artes Cênicas 2015 prossegue até 13 de setembro

Vulcão_foto Manoela Veloso_http://bangalocult.blogspot.com
"Vulcão": hoje, às 20h, no TTB


Senhora dos Restos_foto de maria Odília_http://bangalocult.blogspot.com
Isabel Santos interpreta "Senhora dos Restos"

Começa hoje, mais uma edição do Festival de Artes Cênicas, promovido pela secretaria de Estado da Cultura juntamente com o Instituto Banese. O evento, que envolve o V Festival Sergipano de Teatro  e a IX Semana de Dança, também contempla espetáculos circenses e prossegue até o dia 13 de setembro, com apresentações gratuitas nos teatros Atheneu, Lourival Baptista e Tobias Barreto; Museu da Gente Sergipana; Viaduto do DIA e Praça Fausto Cardoso.


Ao todo, foram contemplados 29 projetos, sendo três de circo, sete de dança e 19 de teatro. Será uma ótima oportunidade para o público rever alguns espetáculos- a exemplo de "O Amor de Filipe e Maria e a Peleja de ZeRRamo e Lampião", "Ananse, uma Lenda Africana", "Vulcão" e "Senhora dos Restos" ou conferir pela primeira vez. 

Na abertura, de logo mais, às 20h, no Teatro Tobias Barreto, a atriz Diane Veloso apresentará o monólogo "Vulcão". O texto escrito pela dramaturga Lucianna Mauren foi elaborado a partir de fragmentos da vida da própria atriz, mas não apenas por isso, pois seus acontecimentos e sentimentos foram sublimados em uma narrativa não cronológica com intensa carga poética. O espetáculo dirigido por Sidnei Cruz ficou em cartaz durante os últimos três meses, na Intera- Arte Economia Criativa.


Para quem não viu ainda "Senhora dos Restos", monólogo interpretado pela atriz Isabel Santos, o espetáculo será apresentado amanhã, a partir das 20h, no Teatro Lourival Baptista. Trata-se da história de uma idosa, moradora do Mercado Municipal de Aracaju, que ao longo de 50 minutos, apresenta um discurso carregado de conteúdo social, onde a fome, a miséria, a valorização da mulher e o respeito ao meio ambiente terão destaque.

Com texto de Euler Lopes e direção de Iradilson Bispo,"Senhora dos Restos" estreou em agosto, do ano passado no Teatro Atheneu, ficou três meses em temporada na Casa da Rua da Cultura e abriu a Temporada Mariano de Artes Cênicas desse ano.

Fique por dentro dos outros espetáculos contemplados:


UM QUE DE NEGRITUDE- "ÁGUAS" (01/09, às 20h, Atheneu)

TRÊS MARIAS- ÁGUAS" (13/09, às 19h40, Viaduto DIA)

CIRCO GOLD STAR- "CIRCO GOLD STAR: A ARTE NO PICADEIRO" (09/09, às 18h, no Circo Fernando Collor)

CIGARI- CIA DE ARTES INTEGRADAS- "O CIRCO SEM LONA"

CIA NELSON SANTOS- "SENTIDO PRÓPRIO" (04/09, às 20h, Tobias Barreto)

ESPAÇO LISO DE DANÇA- "DEVIR" (30/08, às 21h, Atheneu)

CIA DE DANÇA LOUCURAT- "A ROSA E O VENTO" (03/09, às 20h30, Atheneu)

CIA CONTEMPODANÇA- "RITUAL DE FOGO" (02/09, às 21h, Tobias Barreto)

JULIA MINHA DANÇA- "DOMUM" (13/09, às 20h, Tobias Barreto)

IRMÃOS DE RUA- "DESABAFO" (03/09, às 20h, Atheneu)

CIA CARPE DIEM- "SERGIPE MINHA TERRA" (04/09, às 21h, Tobias Barreto)

COMPANHIA UAAAU!- "BR 00 - SALTIMBANCOS NA ESTRADA" (30/08, às 17h, Atheneu)

MAIA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS- "ANANSE, UMA LENDA AFRICANA" (28/08, às 17h, Atheneu)

QUIPROCÓ (MG)- "TRÊS FLORES" (28/08 e 29/08, às 21h, Atheneu) 

GRUPO MONTECOURT DE TEATRO- "O CHÁ" (31/08, às 21h, Atheneu)

COMPANHIA PONTO DE TEATRO- "FAZ DE CONTA" (10/09, às 16h, Museu da Gente)

CIA STULTIFERA NAVIS- "O DOENTE IMÁGINÁRIO" (06/09, às 20h, Tobias Barreto)

COLETIVO NOSNAESTRADA- "NA CENTRAL DO BRASIL" (08/09, às 20h, Atheneu)

GRUPO DE TEATRO A TUA LONA- "MENINA MIUDA" (13/09, às 20h30, Tobias Barreto)

GRUPO TEATRAL BOCA DE CENA- "COMO NASCE UM SANTO" (02/09, às 16h, Pça. Fausto Cardoso)

EITCHA COMPANHIA DE TEATRO- "DANDO NÓ EM PINGO D'ÁGUA" (01/09, às 16h, Pça. Fausto Cardoso)

TEATRO DE CORDEL DA RABECA- "O AMOR DE FILIPE E MARIA E A PELEJA DE ZERRAMO E LAMPIÃO" (09/09, às 16h, Museu da Gente Sergipana)

CÉSAR LEITE- BOI DE BARRO FRAGMENTOS (29/08, às 20h, Atheneu)

CIA DE TEATRO HISTÓRIA EM CENA- "CONTO DE GRIÔ: CABANA PAI THOMAZ" (27/08, às 21h, Atheneu)

CIA COBRAS E LAGARTOS- "DESCORTINANDO SERGIPE" (10/09, às 16h30, Museu da Gente)

GRUPO DE TEATRO OITEIROS- "FARRATATAIA SERGIPANA" (11/09, às 16, Museu da Gente Sergipana)

CIA DE TEATRO VINHO E ALMA (SP)- "PASSAGEM DAS HORAS" (11 e 12/09, às 20h, Lourival Baptista)

MAMULENGO DE CHEIROSO- "O FILHO DA FIGUEIRA" (08/09, às 16h, Atheneu)

CIA NOVA ERA- "ENIGMA" (02/09, às 20h, Tobias Barreto)

IMBUAÇA- "A FARSA DOS OPOSTOS" (03/09, às 16h, Pça. Fausto Cardoso)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Café Pequeno lança CD "Voz de Dentro"

Já não era sem tempo. Quando foi mesmo que o Grupo Café Pequeno lançou o primeiro disco ? Não lembro bem, mas parece que foi em 2009, quando tivemos  oportunidade de colocar no CD Player  "Café Pequeno na Cozinha de Badyally" que trazia composições autorais, entre outras releituras de clássicos da MPB. 

Passados seis anos (que parecem uma eternidade), eis que Guga Montalvão (violão), Julio Rego (gaita) e Pedrinho Mendonça (percussão) prometem um grande show de lançamento do segundo CD, "Voz de Dentro", amanhã, às 19h, no auditório do Museu da Gente Sergipana. O disco, na verdade, foi lançado virtualmente em março desse ano, mas os rapazes decidiram se render ao produto "físico" e realizar uma apresentação especial.

Para quem ainda não teve a oportunidade de ouvir o material fonográfico, a filosofia é a mesma do disco de estreia: compor músicas universais, com o tempero sergipano. As referências e homenagens são muitas, passando por Guinga ("Nó na Garganta"), Cobra Verde ("Cobra e o Duende"),  João Rodrigues ( "O Comodista"), Dona Nadir ("Brincante") e Arthur Bispo do Rosário (faixa homônima).

O Museu da Gente Sergipana localiza-se à av. Beira Mar, 398 e a entrada é gratuita.

Grupo Bagaceira de Teatro apresenta "Interior" em Aracaju


Grupo Bagaceira de Teatro_Estúdio Pã_foto Henrique Kardozo_http://bangalocult.blogspot.com


Grupo Bagaceira de Teatro_Estúdio Pã_foto Henrique Kardozo_http://bangalocult.blogspot.com
Bagaceira de Teatro apresenta "Interior" no Espaço Imbuaça 

O Grupo Bagaceira de Teatro apresenta hoje, às 18 e 20h, no Espaço Imbuaça, o espetáculo "Interior" fruto de uma pesquisa de dois anos por quatro cidades do  Ceará ( Beberibe, Icó, Itarema e Tauá). Nessa imersão, o Grupo encontrou brincantes de reisado, atores de teatro e índios e produziu  um trabalho muito especial, que teve como parceiros, o ator do Theatre Du Soleil ,Maurice Durozier e a atriz e diretora paulista Georgette Fadel.  

Como seria impossível dar conta de tantas histórias lindas, o Bagaceira resolveu trazer para a cena duas velhinhas que insistem em não morrer. Essas velhinhas já cruzaram diversas gerações e sabem tudo a respeito da vida. Elas, sim, dão conta de todas as histórias possíveis e impossíveis.

O resultado é um espetáculo irreverente e ao mesmo tempo singelo. Cheio de afeto, que nem o bolo das avós. Uma peça que busca aconchegar, fazendo com que o público se sinta em casa. Uma homenagem do Grupo Bagaceira de Teatro aos artistas e à cultura do interior.

Com texto de Rafael Martins, direção de Yuri Yamamoto e um elenco contando com Samya de Lavor, Tatiana Amorim, Rafael Martins e Rogério Mesquita, "Interior" representou o Brasil na Quadrienal de Praga 2015, o maior evento de cenografia do mundo e agora, chega a Aracaju, em duas únicas apresentações gratuitas. O Espaço Imbuaça localiza-se à rua Muribeca, 4- Bairro Santo Antônio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Zezita Matos, naturalmente, Atriz



Zezita Matos_foto Suyene Correia_http://bangalocult.blogspot.com
A atriz Zezita Matos passou duas semanas em Aracaju...
Foi no Curta-SE do ano passado, após a sessão de "A História da Eternidade", que tive o prazer de trocar rápidas palavras com a atriz paraibana Zezita Matos. Juntamente com a atriz cearense Débora Ingrid, ela tinha vindo a Aracaju, a fim de representar o filme do diretor pernambucano Camilo Cavalcante, que competia na Mostra de longa-metragem. Porém, devido a compromissos, em João Pessoa, Zezita viajaria na madrugada do dia seguinte, frustrando minha expectativa de entrevistá-la, naquela ocasião.

Ao final do festival, ambas foram premiadas com o troféu Ver ou Não Ver, por conta de suas atuações em "A História da Eternidade", mas para mim, não foi nenhuma surpresa a tarimbada "Primeira Dama do Teatro" (ela prefere ser chamada de "Operária do Teatro"), acumular mais um troféu na estante, tendo em vista suas performances nos longas "Mãe e Filha" de Petrus Cariry, "O Céu de Suely" de Karim Aïnouz e o curta-metragem "Azul" de Eric Laurence. Eis que o tempo conspirou a meu favor e, quase um ano depois, Zezita me avisa que está retornando à capital sergipana, para apresentar "Memórias de um Cão", novo espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim, do qual faz parte há nove anos.

Não só eu teria a chance de vê-la em cena, como também de realizar a tão esperada entrevista. No espetáculo dirigido por Márcio Marciano, baseado nas obras "Quincas Borba" e "Memórias Póstumas de Brás Cuba" de Machado de Assis, Zezita explora sua versatilidade, interpretando várias personagens, em participações pontuais, porém marcantes. Mesmo para quem nunca viu outro trabalho da atriz antes, seja no teatro ou no cinema, não tem como negar a potência do seu olhar, do seu gestual. Herança adquirida de uma vida dedicada a arte de interpretar, que começou em 1958,  no Teatro Santa Rosa, interpretando "Prima Dona" de José Maria Monteiro e, pelo jeito, está longe de acabar.

Nossa conversa aconteceu no hotel onde os atores do Coletivo Alfenim ficaram hospedados durante duas semanas. Em pouco mais de uma hora e meia, Zezita traçou sua trajetória artística, elencando importantes papéis do seu vasto currículo e discorreu sobre política, educação, cinema, literatura e família.  Em 57 anos de exercício da arte de interpretar, ela acumula 36 espetáculos, pouco mais de uma dúzia de filmes, entre longas e curtas-metragens e uma infinidade de prêmios.  O cinema, porém, entrou com força total na sua vida, em 1999, quando Marcus Vilar a convidou para atuar em "A Canga". Antes, ela só havia trabalhado com Walter Lima Jr., em 1965, no longa-metragem "Menino de Engenho". Sobre a participação nesse filme de estreia de Lima Jr, como uma das costureiras de Maria Menina (Anecy Rocha), Zezita revela um fato inusitado durante a seleção. 

"O pessoal que iria escolher as atrizes, havia marcado um determinado horário, mas chegou muito tempo depois. Minhas colegas, à medida que foram sendo chamadas para o teste, interpretavam o texto decorado, que tinha sido dado pela produção. Na minha vez, eu reclamei da demora deles, perguntei o que eles pensavam que a gente era, para esperar tanto, enfim, improvisei. E desse improviso, desse desabafo, terminei sendo selecionada. Para mim, foi uma enorme felicidade, não só pelo fato de trabalhar com nomes como Walter Lima Jr., Anecy Rocha, Maria Lúcia Dahl, mas também, pela oportunidade de voltar a Pilar, minha terra natal e locação das filmagens", explica a conterrânea de  José Lins do Rego.

Atriz Zezita Matos_foto Suyene Correia_http://bangalocult.blogspot.com
... com a peça "Memórias de um Cão" do Coletivo Alfenim...  
Na cidade em que nasceu, distante 55 km de João Pessoa,  Severina de Souza Pontes, ou melhor, Zezita Matos morou até os seis anos de vida. Mudou-se, então para Campina Grande, onde estudou no Colégio das Damas (um colégio de freiras, com regime de internato) até os 16 anos. Em 1957, mudou-se para João Pessoa, estudando, inicialmente,  no Lins de Vasconcelos para, no ano seguinte, ingressar no Liceu.  Em agosto, conheceu o cenógrafo Breno Matos (seu futuro marido), que não só a levou para o teatro, mas também, para o Partido Comunista (ela chegou a ser secretária das Ligas Camponesas).  "Contrariando o dito que "agosto é o mês do desgosto', tenho muito o que comemorar, nesse mês. Além do meu aniversário", conta.

A carreira no teatro iniciou no Grupo Popular de Arte, ainda no final dos anos de 1950 e, a partir de 1964,  integrou outros grupos, como o de Cruz das Almas e do Teatro Santa Rosa. No início dos anos de 1980, Zezita se tornaria a primeira mulher a dirigir o Teatro Santa Rosa, ganhando o epíteto do amigo Everaldo Vasconcelos de "Primeira Dama do Teatro". Concomitantemente, à carreira de atriz, Zezita sempre esteve ligada à área de educação, tendo se graduado em Letras e administrado instituições de ensino estaduais.

"Meu  pai permitiu que eu fizesse teatro, contanto que eu me formasse e tivesse uma profissão paralela. Selei esse compromisso com ele e, de uma certa forma, isso pesou para que eu decidisse ficar perto da minha família e não aventurasse, na carreira de atriz, fora da Paraíba".  De toda forma, ainda que com três filhos pequenos (Oriêta, Dinaura e Breno Jr.) para educar, Zezita manteve uma frequência quase que ininterrupta nos palcos. "Só parei um ano, para me dedicar a uma especialização em São Paulo. Fora isso, sempre estive atuando. Até quando estava amamentando minha segunda filha, com um mês de vida, ensaiei "A Cotovia" com uma norte-americana, Leslie, em minha residência".

Outros trabalhos que a atriz destaca do seu currículo teatral são : "Judas em Sábado de Aleluia", "A Farsa da Boa Preguiça", "Brevidades", "O Milagre Brasileiro", "Quebra Quilos" e "As Velhas". Esse último foi marcante em vários sentidos, não só pelo fato de Zezita ter passando pelo processo de separação com Breno, na época da montagem, como o diretor, Ângelo Nunes, ter morrido num acidente de carro, antes da estreia. "Ainda sob o impacto da morte de Ângelo, nós decidimos levar o espetáculo adiante e Duílio Cunha, assistente de direção, assumiu o comando dessa peça escrita por Lourdes Ramalho. Por sorte, uma de nossas apresentações foi vista pelo pessoal do SESC, que gostou e nos convidou para percorrer o Brasil, dentro do projeto Palco Giratório. O espetáculo ficou em cartaz durante oito anos".

Nesta peça, Zezita interpreta uma mulher nordestina que sai em companhia dos filhos, à procura de seu marido, que fugiu com uma cigana. Ela perambula pelo Nordeste, durante anos, e quando o encontra, ele está preso a uma cadeira de rodas. "É uma história forte que eu me emocionei muito ao fazer". Assim como os espetáculos "O Milagre Brasileiro" e "Brevidade", ambos de autoria de Márcio Marciano (ex- Cia do Latão e fundador do Coletivo Alfenim). No primeiro, Márcio construiu uma metáfora de Antígona para contar a busca dos desaparecidos políticos durante a Ditadura Militar. Como Zezita teve muitos amigos presos, alguns torturados, durante o regime ditatorial no Brasil, não tinha como não se lembrar do passado. "É um  espetáculo lindíssimo! Sempre me emocionava em cena. O primeiro ensaio foi no Festival Latino-americano em SP".

Já "Brevidades", conta a história de uma atriz que sofre do Mal de Alzheimer que interage com a plateia, convidando o espectador a tomar chá em mesas postas no espaço de representação. "Márcio não quis montar um monólogo, daqueles tradicionais. Então, eu interajo com cada espectador que senta à mesa e as reações são diversificadas e inusitadas. Teve gente que chorou copiosamente no meio da apresentação e tive que contornar a situação, improvisando". 

Zezita Matos_foto Suyene Correia_http://bangalocult.blogspot.com
...num tempo livre,  falou do amor pelo teatro e pelo cinema
Mas nem só de trabalhos marcantes no teatro é alimentada a carreira de Zezita Matos. Ainda que tenha feito, relativamente, pouco trabalho no cinema, ela também relata suas experiências emocionantes na composição das personagens que já viveu. "Depois de fazer 'A Canga' com Marcus Vilar, recebi o convite do Marcelo Gomes para participar de 'Cinema Aspirinas e Urubus'. Quando li o roteiro, fiquei apaixonada pela história e disse-lhe,  que mesmo que não entrasse no elenco, após os laboratórios que fizemos em Recife, não tinha problema. Mas ele me presenteou com a Mulher da Galinha, e quando revejo o filme, acho a cena linda".

Já em "O Céu de Suely", quando Karim Aïnouz a convidou para participar do filme, não só Zezita ficou feliz, mas também o ator João Miguel. Ambos se conheciam de longa data, por conta de um período em que o baiano morou em João Pessoa e conviveu com os atores do Grupo Piollin, do qual faz parte Everaldo Pontes, irmão da atriz e um dos fundadores do grupo.

"O João Miguel ficou muito feliz quando soube que íamos trabalhar juntos. Encontramo-nos em Recife, num dia de laboratório para "O Céu de Suely". Falei para ele, que eu não acreditava em coisa do destino, mas João pensa, diferentemente, de mim. As filmagens começaram e, primeiro fomos a Triunfo e depois, seguiríamos para Patos. No dia de filmar em Patos, vou prá João Pessoa, pego o ônibus e sigo para a locação. Quando chego na rodoviária, lá está João Miguel, todo feliz. Me aproximo dele e ele me pega nos braços, rodopia assim e eu sem entender nada. Aí, ele me coloca no chão e me dá um jornal, que tinha uma entrevista  minha, de meses, talvez de um ano, onde eu dizia: 'eu acredito em sonhos. A utopia existe'. Ele tinha ido prá feira, comprar o pente que ele usa no filme  e o comerciante embrulhou o pente num  jornal, que tinha estampado o meu rosto. Diante da coincidência, João me disse: 'esse filme vai longe'. E foi mesmo".

Uma das coisas que mais encantou Zezita, durante o processo de trabalho com o diretor Karim Aïnouz, foi o fato dos personagens terem os mesmos nomes dos atores e eles não seguirem um roteiro. "Simplesmente o Karim passava prá gente uma situação e nós improvisávamos. Até, então, nunca havia trabalhado desse jeito e a experiência foi fantástica", diz entusiasmada.

Zezita foi encorpando o currículo cinematográfico e com papéis pequenos ou de protagonista, sempre ilumina a tela, quando está em cena. Paulatinamente, a crítica e os diretores foram observando suas atuações, sendo hoje uma figura constante nos festivais de cinema pelo país, abocanhando prêmios de interpretação. "Acho que o prêmio é bom, é válido, mas o mais importante é o que o trabalho reverbera no entorno. Isso vale tanto para o teatro como para o cinema". O mais recente deles veio de Rondônia, do 6o Curta Amazônia Mundi- Festival de Cinema, onde ganhou o prêmio de Melhor Atriz pelo curta "Olhos de Botão" de Marlom Meirelles.

Mesmo sendo uma cinéfila, desde a adolescência (ela se arrepende de ter jogado fora as edições que tinha da revista Cinelândia), Zezita é apaixonada mesmo pelo teatro. Segundo ela, o que lhe encanta nessa arte é o caráter efêmero e o contato direto com  o espectador. "Cada dia é uma experiência nova e a gente pode modificar ao logo dos dias, da temporada, nossa performance. Isso me fascina".

Admiradora da escrita de Mario Benedetti, Mia Couto e Gabriel García Marques, atualmente, Zezita Matos tem circulado por cidades do Nordeste com o espetáculo "Memórias de um Cão" do Coletivo de Teatro Alfenim, mas divide o tempo com atividades ligadas à área de educação (é coordenadora do programa de Responsabilidade Cultural do Unipê) e com o cinema. Em breve, ela estará no set de filmagem para a realização de dois novos curtas e, até o final do ano, deverá ser lançado o longa-metragem "Língua Seca" de Homero Olivetto, em que faz o papel de uma beata.

Quando questionada sobre a possibilidade de vir a Aracaju, participar de um curta sergipano, ela não pestanejou: "se for convidada, eu venho". Não seria nada mal, se Zezita se inspirasse numa das personagens de Antônio Carlos Viana, em "Jeito de Matar Lagartas" (livro que ela está lendo, fascinada), para sua performance. Fica dada a sugestão!


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Centenário de Gerson Filho é comemorado no Cultart

Amanhã, às 19 h, no Centro de Cultura e Arte da UFS/Cultart, será aberta a exposição "Vida e Obra de Gerson Filho". O evento faz parte das comemorações alusivas ao centenário de nascimento do sanfoneiro dos "oito baixos" e contará também com uma palestra ministrada pelo pesquisador, radialista e especialista em música e cultura nordestina, Paulo Corrêa e pelo fundador e diretor artístico do Grupo de Teatro Mamulengo Cheiroso, Augusto Barreto.

A exposição abordará detalhes da obra do grande precursor da sanfona dos "oito baixos" nordestina em carreira profissional e também falará sobre a vida de Gerson, desde a sua infância no município de Penedo-AL, passando pelo difícil início de carreira e o momento em que ele conhece Clemilda, com quem se casou e teve dois filhos.

O evento é promovido pelo mandato da deputada estadual Ana Lúcia. O Cultart está localizado à Avenida Ivo do Prado, 612 (próximo ao SENAC).