sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Apaixonante, Van Gogh

Com Amor, Van Gogh_divulgação_http://bangalocult.blogspot.com
 "Com Amor, Van Gogh" de Dorota Kobiela e Hugh Welchman

Inicialmente, um ótimo ANO NOVO, para os meus velhos e  novos seguidores!!! Que 2018 seja bastante cinematográfico!! E, pelo andar da carruagem (tendo em vista os bons títulos em cartaz no Cinema Vitória (localizado à Rua do Turista, centro de Aracaju), penso que teremos, sim, um ano promissor em matéria de estreias audiovisuais em Aracaju.

Nessa primeira postagem do ano, gostaria de chamar a atenção para um filme que estreou em dezembro de 2017, mas que pode fazer bonito na corrida para o Oscar, na categoria Longa de Animação. Trata-se de "Com Amor, Van Gogh" da dupla de artistas visuais e diretores, Dorota Kobiela e Hugh Welchman, que há uma década, decidiram se debruçar num projeto ambicioso: filmar um longa-metragem a partir de telas pintadas animadas.  Para isso, escolheram a vida e obra de Vincent Van Gogh para retratar na telona, partindo do episódio misterioso de sua morte, em 29 de julho de 1890, aos 37 anos.

Depois de uma boa acolhida pelo público, na 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a produção que foi distribuída pela Europa Filmes, segue em cartaz, em algumas capitais brasileiras e já ultrapassou a marca de 65 mil ingressos vendidos. A história começa um ano depois da morte de Van Gogh, com Armand Roulin (Douglas Booth), filho do carteiro e amigo do pintor holandês, Joseph Roulin (Chris O'Dowd), à procura de Theo, para lhe entregar uma carta do irmão morto.

Theo não é localizado e Armand visita algumas pessoas que tiveram contato com o artista pós-impressionista, antes de sua morte, em Auvers. Surge uma dúvida: teria Van Gogh se suicidado mesmo ou ele teria sido assassinado ? (versão aventada pelos biógrafos Steven Naiefh e Gregory White Smith, no livro "Van Gogh- a Vida", lançado em 2011, no Brasil, pela Cia. das Letras).  Personagens como Dr. Gachet (Jerome Flynn), sua filha Margaret (Saoirse Ronan) e Adeline Ravoux (Eleanor Tomlinson), que foram retratados por Van Gogh durante a sua breve existência, ajudam a Armand compreender melhor a personalidade ora frágil, ora conturbada do pintor.

Enquanto a narrativa se desenvolve, didaticamente, escorando-se em flashbacks, para o espectador, pouco importa qual a versão verdadeira da história. O fato é que Vincent Van Gogh morreu aos 37 anos, deixou cerca de 900 telas prontas em apenas 9 anos de trabalho e, apesar de ter vendido apenas um quadro, em vida, sua genialidade pictórica foi consolidada ao longo das décadas seguintes.

É indescritível a sensação de apreciar uma tela do pintor holandês num museu. O excesso de tinta, as pinceladas ágeis, as cores vibrantes e uma certa distorção espacial contribuem para se atingir um estado de quase êxtase. "Com Amor , Van Gogh" leva-nos a uma sensação similar. Agora, projetadas no ecrã, não há como avaliar a textura das imagens, as pinceladas foram produzidas por mais de 100 diferentes artistas e o valor tonal pode até se aproximar do real, mas não é o autêntico. Por outro lado, os milhares de frames em movimento e o trabalho obsessivo dos técnicos na tentativa de, finalmente, promover o "encontro" da pintura com o cinema,  soa recompensador.

Apesar da fragilidade do roteiro e de uma certa obsessão dos diretores em reproduzir um número significativo de situações e colocar em cena, modelos que serviram de inspiração para o pintor criar suas telas, o filme ganha o espectador pela emoção e preciosismo técnico, tendo grande chance de vencer o Globo de Ouro na categoria específica- de Filme de Animação- neste domingo e concorrer na mesma categoria no Oscar 2018.

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