quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Clássicos de Hitchcock causam frisson no IX Panorama Coisa de Cinema


Os Pássaros_http://bangalocult.blogspot.com
Melanie (Hedren) sendo atacada pelos "Pássaros"


Durante o último final de semana, tive a oportunidade de conferir alguns bons filmes (outros nem tanto) no IX Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador. Patrocinado pelo Governo da Bahia e pela Petrobras, o festival organizado pela dupla Cláudio Marques e Marília Hughes prossegue até amanhã, na capital baiana e na cidade de Cachoeira, quando serão divulgados os vencedores das mostras competitivas de longas, curtas, filmes internacionais e filmes baianos.

Contando com a exibição de 155 filmes, de diversos países, como Eslováquia, Islândia, Tailândia, Croácia, o festival teve como destaque as mostras Bruno Dumont e Hitchcock e os Panoramas Mexicano, Internacional, Alemão, Italiano, IndieLisboa e Brasil. Entre a Mostra Bruno Dumont- oportunidade rara de conferir quatro filmes do cineasta francês: “29 Palmos”, “Fora Satã”, “A Vida de Jesus” e “A Humanidade”- e a Mostra Hitchcock, o público preferiu rever (ou ver pela primeira vez em tela grande) os clássicos do Mestre do Suspense.

Com ingressos disputadíssimos, as sessões de “Psicose” e “Disque M Para Matar 3D”, no Cine Glauber Rocha, lotaram. Também foi bastante prestigiada a exibição de “Os Pássaros”, onde o público pode conferir em cópia restaurada, todo o terror vivido por Melanie (Tippi Hedren) por conta dos ataques inexplicáveis dos pássaros. Foi emocionante a experiência e ao mesmo tempo aterradora (com aqueles efeitos sonoros potencializados pelo som Dolby), ainda que para os mais jovens, algumas cenas soassem engraçadas.

Até hoje, pouco familiarizada com o 3D, não me furtei de assistir à primeira exibição na capital baiana, do único filme de Hitchcock feito neste formato. A engenhosidade da trama de “Disque M Para Matar” – baseada na peça de Frederick Nott- permanece inabalável apesar dos quase 60 anos de estreia nas telonas. Ray Miland vivendo o vilão Tony Wendice que arquiteta o assassinato de sua bela mulher, Margot (Grace Kelly), tem um dos seus melhores papéis no cinema. Mas os efeitos 3D são poucos e o que prevalece mesmo é o humor do inspetor Hubbard (John Williams). Não teve quem não se divertisse.

Já nas sessões de “A Vida de Jesus” e “29 Palmos” poucos se aventuraram a conferir o cinema de estética naturalista, um tanto fantástico, violento e seco de Dumont. Confesso que prefiro o mais recente dele “Camille Claudel 1915” estrelado por Juliette Binoche, à “Vida de Jesus”, primeiro longa do cineasta, lançado em 1997, e vencedor da Camera D’Or- Cannes 1997.

Do México, assisti a dois documentários bastante díspares. O verborrágico “O Prefeito” de Carlos Rossini, Emiliano Altuna e Diego Enrique Osorno sobre Maurício Fernandez, o polêmico prefeito de San Pedro Garza García, que para tornar sua cidade a mais segura e rica da América Latina, não hesita em seguir a máxima “olho por olho, dente por dente;  e o intimista “Fogo” de Yulene Olaizola, um filme perturbador sobre a solidão, onde a cineasta trabalha com atores amadores de um povoado remoto na Ilha Fogo, no Canadá.

Não menos perturbador foi o filme alemão “Finsterworld” de Frauke Finsterwalder. Ele segue aquele estilo de filme mosaico, com vários personagens mais cedo ou mais tarde se cruzando e causando efeitos indesejáveis (ou não), uns aos outros. Mas o artifício aqui não é gratuito e a crítica à sociedade alemã e às relações no mundo contemporâneo é contundente. Bastante providencial.

Da Panorama Italiana, destaco o mais novo filme de Bernardo Bertolucci, “Eu e Você” , drama delicado sobre as crises da adolescência, que conta com uma trilha sonora excelente e a presença da editora de som, Silvia Morais, brasileira atuante no cinema internacional.

Além de “Salvo” de Antonio Piazza, filme vencedor do Grande Prêmio e Troféu Revelação na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2013, que possui um plano- sequência nos primeiros minutos de projeção, de deixar qualquer cinéfilo extasiado. Explorando a temática da máfia, a trama foca o matador profissional, Salvo, que se apaixona por uma de suas potenciais vítimas que é cega. Milagrosamente a jovem volta a enxergar e Salvo decide protegê-la, mesmo que essa atitude ponha sua vida em risco.

Amanhã, às 20h, o público conhecerá os vencedores desta 9ª edição do panorama Internacional Coisa de Cinema. Logo após a premiação, serão exibidos “Claun – Parte 2: A volta das máscaras” de Felipe Bragança e “Depois da Chuva” de Cláudio Marques e Marília Hughes.

Próximo ano tem mais!
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