quinta-feira, 24 de abril de 2014

Exposição "ZERO" ocupa a Pinacoteca de São Paulo



"Parede Espelhada e Móbile" de Christian Megert

"História de Incêndio" de Otto Piene



Quem for a São Paulo, até o dia 15 de junho, não deve perder a oportunidade de conferir a exposição ZERO, em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo, localizada próxima à Estação da Luz. Pela primeira vez no Brasil, a mostra apresenta uma visão geral com enfoque temático dessa vanguarda internacional que, no final da década de 1950 e início da década de 1960, por meio de arranjos pictóricos dispostos em série e estruturas de luz vibratórias, alterou de forma decisiva a arte do período pós-guerra. 
São cerca de 50 trabalhos de nomes como Otto Piene, Heinz Mack, Lucio Fontana, Almir Mavignier, Christian Megert, Piero Manzoni, Yves Klein, Hans Haacke, Jan Henderikse, Jesús Rafael Soto, Abraham Palatnik, Lygia Clark, Pol Bury, Dadamaino, Gianni Colombo, entre outros.

Destaques para “Parede Espelhada e Móbile” de Christian Megert; “Progressão” de Abraham Palatnik; “Espiral” de Jesús Rafael Soto; “História de Incêndio” de Otto Piene e “Espaço Elástico” de Gianni Colombo. Em relação ao período, a exposição se concentra, com algumas exceções, no início da formação do ZERO, no final da década de 1950 até a sua dissolução em meados da década de 1960.

Assim como a Bauhaus, o ZERO é um dos mais importantes movimentos artísticos da Alemanha. Em 11 de abril de 1957, os jovens artistas alemães Heinz Mack e Otto Piene, sem ter espaço nas galerias para mostrar suas produções, convidam outros colegas para a 1ª “Exposição Noturna” em seu ateliê, em Düsseldorf. A partir daí, uma série de exposições acontece, durando apenas uma noite, sendo que a 4ª Exposição Noturna, em setembro de 1957, torna-se um marco para o grupo, com as primeiras obras reticuladas de Piene, as estruturas seriais de Heinz Mack, assim como as novas obras de Peter Brüning e Hans Salentin.

A dupla- que mais tarde, ganharia o reforço de Günther Uecker- desvincula-se da pintura gestual do movimento informal e formula uma nova linguagem imagética viva de luz. Sofrendo influência da arte do francês Yves Klein, o grupo  abandona a pintura marcada pelo academicismo, abraçando a luz e os valores cromáticos como material imagético, que dinamiza a cor e lhe fornece potencial espacial para seu desenvolvimento.

Em abril de 1958, é publicada uma revista-catálogo, ZERO 1, contendo matérias assinadas por críticos de arte e depoimentos dos artistas que participaram da exposição. O título surgiu por acaso. Segundo Otto Piene, “Zero é uma zona imensurável na qual um estado anterior se converte em um novo”.

Sem dúvida, influenciado pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, o ZERO almeja, segundo Otto Piene, “rearmonizar as relações entre ser humano e natureza”. Os artistas experimentam novas técnicas e materiais, deixam-se levar pelo acaso e pelas forças da natureza para dinamizar a superfície da imagem. Dynamo! Dynamo! Dynamo! é a divisa onipresente; vibração torna-se sinônimo do tempo ZERO e de uma linguagem voltada para futuro, que se define a partir da pureza da luz. Um espaço monocromático, frequentemente de cor branca, visualiza as forças energéticas do cósmico e do vazio, que incorporam não apenas para Yves Klein, o desejo do ser humano por uma vivência espiritual.

Com os cortes e rupturas da tela, assim como o uso de pregos, rolhas, algodão, esponjas e outros materiais cotidianos, a imagem se torna não apenas um lugar de ação física e se transforma em um objeto, que põe o espectador em movimento e vice-versa: o próprio espectador pode por em movimento o objeto da imagem ou mudar sua estrutura por meio de contato. Dessa forma, são gerados relevos movimentados manualmente ou de forma eletromecânica, que procuram crescentemente ocupar o espaço. Das estruturas vibrantes desenvolvem-se esculturas de luz cinéticas e ambientes transitáveis, concebidos especialmente para um local e que podem ser vivenciados pelo espectador com todos os seus sentidos.

Forma-se no estado da Renânia um cenário dinâmico que transcende as fronteiras. Na intensa rede de relações de artistas, que organizam coletivamente exposições históricas, como Azimut (Milão), Nul (Holanda) e ZERO (Düsseldorf), a exposição ZERO enfoca as relações entre artistas alemães e sul-americanos. Artistas sul-americanos de renome internacional, como Lucio Fontana (Argentina/Itália) ou Almir Mavignier (Brasil/Alemanha) incluem-se no círculo restrito de curadores ativos em Milão, Veneza e Zagreb, assim como o venezuelano Jesús Rafael Soto, que vive em Paris.

Numerosos artistas do ZERO e de seu entorno imediato participam da Bienal de São Paulo, entre eles, Lucio Fontana (1951 e 1959, entre outras bienais), Almir Mavignier (1951 e 1957), Jesús Rafael Soto (1959 e 1963), Jan Henderikse e Jean Tinguely (1965), Gianni Colombo e Jan Schoonhoven (1967) e Günther Uecker (1971). O diálogo artístico da exposição ZERO é ampliado ainda com as obras de Hércules Barsotti, Lygia Clark e Abraham Palatnik (todos do Brasil), Gego (da Venezuela), assim como Gyula Kosice (da Argentina).

A curadoria do projeto da exposição é da historiadora de arte de Colônia, Heike van den Valentyn, que também foi responsável pelas exposições ZERO de 2006 e 2008. A coordenação geral do projeto está a cargo da gestora cultural Cristina Sommer e a coordenação do catálogo é de Violeta Quesada. 

O projeto da exposição foi organizado em estreita cooperação com artistas e suas fundações, legados ou arquivos, como Heinz Mack, Almir Mavignier, Christian Megert, Otto Piene e Günther Uecker, a Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark no Rio de Janeiro, o arquivo de Yves Klein de Paris, o Archivio Gianni Colombo, o Archivio Enrico Castellani, a Fondazione Lucio Fontana e a Fondazione Piero Manzoni em Milão. 

Acompanha a exposição um catálogo fartamente ilustrado com ensaios de Otto Piene (Düsseldorf/Groton), Heinz-Norbert Jocks (Düsseldorf/Paris), Paulo Venâncio Filho (Rio de Janeiro) e Heike van den Valentyn (Colônia).

A Pinacoteca do Estado de São Paulo funciona de terça a domingo, das 10 às 17h30, sendo que às quintas, fecha às 22h. Ingresso ao preço de R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Às quintas, após às 17h e aos sábados, a entrada é gratuita. Crianças com até 10 anos e maiores de 60 anos não pagam.


Um comentário:

Skyline Spirit disse...

pretty nice blog, following :)