domingo, 1 de junho de 2014

Polayne e ORSSE num Concerto Singular



 
Patrícia Polayne_foto Janaína Vasconcelos_http://bangalocult.blogspot.com
Polayne: casamento perfeito com a ORSSE


Da mesma maneira que a cantora e compositora Patrícia Polayne não se cansa de ouvir Elis Regina, uma legião de admiradores não perde a oportunidade de conferir uma apresentação da artista sergipana, dona de uma presença cênica bastante singular e várias vezes premiada em festivais nacionais de música. Seja no teatro, nos espaços culturais da cidade e de outros Estados ou em shows internacionais, público cativo é o que não falta para prestigiar a performática artista.

Por isso, não será surpreendente, se a plateia lotar as dependências do Teatro Tobias Barreto, no próximo dia 5 de junho, a partir das 20h30, para ouvir a cantora interpretando “O Circo Singular- as canções de exílio” acompanhada da Orquestra Sinfônica de Sergipe sob a regência de Daniel Nery.
Patrícia, que já teve a oportunidade de cantar com a ORSSE, no final do ano passado, no Auto de Natal promovido pelo Instituto Banese, interpretou as canções ‘O Circo Singular’ e ‘Arrastada’ e ficou emocionada com a apresentação. Agora, o desafio é maior, já que o disco de estreia da cantora será tocado na íntegra e o a gravação do show conceberá um DVD.

“Quando desci do palco, na apresentação do Auto de Natal, estava emocionadíssima. Na mesma noite, recebi o convite para me apresentar na temporada 2014, com projeto que agora se realiza. Ao saber que eu seria a primeira artista sergipana, a ter todo seu disco interpretado pela ORSSE, imediatamente, veio a ideia de registro audiovisual. Afinal, será um momento histórico. A secretária de cultura, Eloisa Galdino, ‘comprou a briga’ na hora e convocou uma das melhores produtoras de vídeo daqui, a Brasil Filmes, que também topou a empreitada. Na divulgação, tenho brincado nas redes sociais, convidando a todos, pretensiosamente, para ‘o casamento do ano’ (risos). O casamento entre o popular e o erudito; entre a cantora sergipana e a orquestra do seu lugar. Absorvi e expressei essa atmosfera na sessão de fotos, de Janaína Vasconcelos para o cartaz do evento, que tem como apoiadores, além da Brasil Filmes, o Instituto Banese e a Fundação Aperipê”, conta.

Sempre acompanhada de músicos parceiros como Allen Alencar, Pedrinho Mendonça, Dudu Prudente, Fábio Oliveira, Pedro Yuri, Maire Barreto, Dami Narayana, Vinícius Big John, entre outros, Polayne sente em casa quando está no palco com eles. A afinidade surgiu naturalmente, à medida que as turnês foram acontecendo e todos amadurecendo juntos, ao longo das novas experiências. Dessa vez, o projeto tem o peso do ineditismo e a cantora mergulhará numa outra atmosfera, a erudita. 

“Serei regida, também e tudo muda: a performance, o olhar, a respiração têm de ser espontâneos porém, sob concentração absoluta. Tudo, sem perder minha marca. Sendo eu mesma. Conheci o maestro Guilherme Mannis, no ano passado, quando trabalhamos juntos e me apaixonei pela sua sensibilidade e profissionalismo. Foi de extrema delicadeza e atenção ao meu repertório. Ele assumiu os arranjos de todas as canções do disco. Falou-me de coisas sobre a música que faço que me emocionaram muito, vindo de um amestro e arranjador. Sempre que falo com ele sobre o concerto, digo que estou tremendo nas bases. São 64 músicos, sem muita intimidade comigo e com a minha música. É outro ambiente pra eles, também. Pra mim, a responsabilidade só aumenta. Não leio nem escrevo música. Sou totalmente intuitiva com as melodias e o tempo do compasso. E na primeira apresentação, tive muito medo de errar. Mas nossa química e a afinidade dos músicos com o repertório, relaxaram-me. Nossa experiência foi bonita e forte, senti nos olhos deles, ao final da apresentação, que deu tudo certo. 
É um tanto dramático pra mim, uma cantora assumidamente popular, lidar com a técnica profunda da música, como no caso de uma Orquestra Sinfônica. Achei que não daria conta. Mas a partir da experiência da nossa primeira apresentação, sentimos que deu ‘liga’. Oxalá seja lindo, mais uma vez”.
 
Passados dois anos do último grande show de Polayne no Teatro Atheneu, quando esboçou a despedida de “O Circo Singular” com um show de encerramento da turnê, a intérprete oficial de ‘Quintal Moderno’, ‘Rio Sim’, ‘Lentes de Contato’ e ‘Dote da Donzela’ volta a Aracaju (depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro)  com o intuito de gravar seu segundo disco. 

Estou de volta a Aracaju por esse motivo. Vim gravar o disco na minha casa e com músicos com quem venho trabalhando. Quero gravar as bases aqui por questões afetivas. No momento, estou em fase de namoro com Aracaju e fugindo do clima pré-copa do Rio. Mas pretendo finalizar o disco lá. As novas canções já estão pré-produzidas, o que é meio caminho andado. Já estão todas gravadas e curtidas nesse intervalo de tempo, pois venho tocando o repertório do disco novo nos shows. Gosto do processo inverso de maturar as canções e depois levá-las para o estúdio. Em tempos modernos como os nossos, tempos de cyber espaço, sabemos que o conceito de ‘controle sobre o ineditismo’ é, no fundo, uma inacessibilidade equivocada para o público e para sim mesmo. É bonito lançar um disco novo que todo mundo canta nos shows. Gostaria de lançá-lo no aniversário de meu filho, Caíque Moreno, em setembro. Será meu presente para ele. Até lá, para dar um aperitivo, vou soltando alguns singles, na internet”, explica.

Por falar em Caíque, eventualmente, ele tem dado ‘uma palhinha’ nas apresentações da mãe. Sobre a possibilidade do jovem seguir seus passos, Polayne responde entusiasmada.Espero que sim! Sempre brinco sobre isso com meus amigos, dizendo que com Moreno como meu músico, transformo cachê em renda familiar. Controlo-me para não ‘corujar’, mas não tem jeito. No entanto, nunca forcei a barra. Ele procurou o violão sozinho e tem se dedicado. Dami Narayana, filho de Maire Barreto e também meu músico, é o professor dele. Moreno já toca bem melhor que a mãe. Sinto que, atualmente, ele também tem se dedicado a compor. Quando vi que já tocava direitinho, convidei-o para tocar comigo no Sarau Quintal Moderno, que era um clima mais informal. Foi lindo! Desde então, tenho chamado algumas vezes pra participar em algumas canções, nos shows. Amo cantar com ele. Meu filho é a minha principal inspiração”, conclui.
 
Quem não quiser perder o show da cantora com a Orquestra Sinfônica de Sergipe, melhor garantir logo o ingresso na bilheteria do Teatro Tobias Barreto, ao preço de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Crédito da foto: Janaína Vasconcelos
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