domingo, 8 de março de 2015

Exposição e Biografia de Marina Abramović chegam ao Brasil

Capa da biografia de MArina Abramovic_http://bangalocult.blogspot.com
 Biografia de Marina Abramović escrita por Westcott
Performance de Marina Abramovic_foto_cortesia Sean Kelly Gallery
Performance de Abramović  (Cortesia: Sean Kelly Gallery)
Performance de Abramović (Cortesia: Sean Kelly Gallery)


Março é o mês de Marina Abramović no Brasil. O público poderá conferir a primeira retrospectiva da artista no país- “Terra Comunal- Marina Abramović + MAI”-, a partir desta terça-feira, no SESC Pompeia (SP), bem como o lançamento do livro “Quando Marina Abramović Morrer: uma biografia” do jornalista inglês James Westcott.

Publicado pelas Edições SESC, o livro conta com um minucioso trabalho de entrevistas, feitas entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2009, pesquisa em arquivos pessoais (ela nunca joga nada fora) e de instituições e galerias de arte, James Westcott teve acesso a informações privilegiadas para narrar a história dessa artista desde a infância, em Belgrado, ao iniciar seus estudos, até o reconhecimento internacional como uma das maiores artistas da performance no mundo.

Com total liberdade para apresentar a sua visão sobre a vida e o trabalho da performer, ele entrevistou mais de 60 pessoas que conviveram com Marina para remontar os anos de iniciação na ex-Iugoslávia, a relação turbulenta com os pais (especialmente com a mãe), o início da carreira na universidade, onde começou suas primeiras experimentações que levavam seu corpo e sua arte ao limite, muitas vezes arriscando a própria vida, até os dias atuais.

No livro, também é retratado o intenso e longo relacionamento entre Marina e o artista alemão Ulay. Eles passaram anos juntos, inclusive morando numa van, e se despediram com uma última performance, após 12 anos de colaboração na vida e na arte, ao percorrer a Grande Muralha da China a partir de extremidades opostas, até que, 90 dias depois, encontraram-se no meio e se despediram um do outro.

Com toques de bom humor, James examina a obra desafiadora de uma das artistas pioneiras de sua geração, e que continua sendo considerada de vanguarda. Em 2010, a artista apresentou a exposição “A Artista está Presente, no MoMA, Museu de Arte Moderna, em Nova York, em que ficou sentada durante três meses, com uma cadeira vazia à sua frente aguardando o público que iria fitá-la, levando a um recorde de 850 mil visitantes e 1750 pessoas a sentarem-se na frente da artista, incluindo o ator hollywoodiano James Franco.

A capa traz o desconcertante testamento redigido pela artista com uma descrição detalhada de como deverá ser a cerimônia fúnebre em sua homenagem. O documento revela que Marina fará de sua despedida uma performance celebrando a vida e a morte.

A exposição “Terra Comunal- Marina Abramović + MAI” ficará em cartaz até o dia 10 de maio e poderá ser visitada no SESC Pompeia, de  terça a sábado, das 10h às 21h, e domingo, das 10h às 18h.
A artista Marina Abramović terá encontro com o público em oito datas: 11 e 26 de março; 01, 02, 08, 15, 22 e 30 de abril.  Os encontros acontecerão sempre às 20h,  no teatro (capacidade para 774 lugares). A entrega de senhas será realizada no dia do evento, a partir das 10h.

Biografia- Nascida em 1946, no dia da República da ex-Iuguslávia, 29 de novembro, Marina teve uma educação rígida e disciplinadora, que a influenciou também em seu método de performance, ao levar seu próprio corpo a extremos e limites durante suas apresentações.

Aprovada na Academia de Belas-Artes de Belgrado, a artista inicialmente dedicou-se à pintura, e ficou por um período interessada em acidentes de carro. Usou contatos policiais do pai para descobrir detalhes sobre as colisões graves, e ia até os acidentes para tentar captar sua violência. Frustrada com a sua incapacidade de traduzir a complexidade do tema para a pintura, Marina se dedicou a descobrir novas formas de se expor artisticamente.

Uma de suas primeiras propostas de performance, em 1969, foi recusada. “Come Wash With Me” (Venha lavar comigo) pretendia que a galeria se tornasse uma grande lavanderia, com o público entregando suas roupas para Marina lavar, secar e passar a ferro. Quando as roupas estivessem secas, o público poderia ir embora.

Em 1970, outra proposta também foi recusada. Esta poderia ser sua primeira - e última - aparição pública. A ideia seria Marina trocar suas roupas pelas peças que sua mãe comprava: uma saia deselegante que descia até as panturrilhas, pesadas meias sintéticas, sapatos ortopédicos e uma blusa branca de algodão com pontos vermelhos. Seria, para ela, como vestir uma camisa de força. E então, apontaria uma pistola contra a própria cabeça e apertaria o gatilho. “Esta performance teria dois fins possíveis”, conta a artista.


Marina Abramović, autoproclamada avó da performance, passou estes anos todos produzindo traumáticas e elevadas obras de arte, como deitar em uma estrela de cinco pontas em chamas até perder a consciência; permanecer obstinadamente passiva durante seis horas enquanto membros do público faziam o que quisessem com ela; e cortar um pentagrama em seu abdômen antes de chicotear-se e deitar-se nua em uma cruz feita de gelo.
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