terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Michelangelo em Sergipe? Onde ele está...?

Fiquei estupefata com o título de uma matéria veiculada num semanário sergipano esta semana que dá a alcunha a um artista radicado no Estado de "Michelangelo de Sergipe".
Em primeiro lugar, acredito que a jornalista que intitulou a respectiva matéria desconheça tanto o verdadeiro artista renascentista, quanto o residente em terras sergipanas- o chileno Willy.
O primeiro, um ícone da Época do Renascimento, ficou famoso pela habilidade na arte de esculpir (em mármore, principalmente) revelada em trabalhos como David, Pietá e Moisés.
Mostrou também ser extremamente perfeccionista com os pincéis e as tintas, bastando ver a monumental obra que é a pintura da Capela Sistina. Mas ao contrário de Valenzuela, não era "pau pra toda obra", uma vez que desenvolvia seus trabalhos a longo prazo, com um esmero inenarrável. Trabalhava também com materiais específicos, não dando brechas para os industrializados (até porque, naquela época, não se tinha muita coisa, que existe hoje).
Já Valenzuela, que respeito muito como escultor e artista batalhador, tem o seu próprio estilo que nada se assemelha à obra deixada por Michelangelo. Trabalhando mais com gesso, pedaços de tela e aço, até pela própria matéria-prima utilizada na confeccção de suas obras, o escultor chileno, radicado em Sergipe, não teria como competir com o artista do Quatroccento.
Com uma vertente contemporânea, as esculturas produzidas por Willy tem uma boa aceitação no mercado local, sobretudo quando o artista consegue parcerias com colegas arquitetos. Mas a realidade hoje é outra e os Papas não mas fazem encomendas da magnitude de outrora para ornamentar seus redutos de oração.
Pois bem, seria imprescindível que o o profissional da área de comunicação tivesse o cuidado no uso de certas palavras, para que não caísse no ridículo. Imagine se de uma hora para outra proliferassem Delacroixs, Monets, Cézannes, Van Goghs, Picassos, Caravaggios, Dalís, Fridas sergipanos ?
Não teria porque haver tanta reclamação dos artistas locais para com a falta de valorização de sua obra, de mercado, de reconhecimento além fronteiras, de espaços para expor, etc e tal.

Suyene Correia
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