segunda-feira, 18 de junho de 2012

Lilia Schwarcz prepara biografia sobre Lima Barreto


Em sua primeira visita a Aracaju, a historiadora, antropóloga e escritora, Lilia Moritz Schwarcz, proferiu palestra na manhã da última quinta-feira, na Universidade Federal de Sergipe (UFS), sobre seu mais novo projeto em andamento: uma biografia sobre Lima Barreto. Convidada pelo professor Ulisses Neves Rafael, do Departamento de Ciências Sociais da UFS, Lilia veio acompanhada da professora Laura Moutinho, do Núcleo de Estudos Sobre Marcadores Sociais da Diferença do Departamento de Antropologia (USP), que exerceu a função de debatedora.

Diante de um público formado por professores, estudantes e admiradores de suas publicações (“As Barbas do Imperador: Dom Pedro II, um monarca nos trópicos” (1998), “O Sol do Brasil: NICOLAS-ANTOINE TAUNAY e as Desventuras Dos Artistas Franceses na Corte de D. João (1816-1821)” (2008)), Lilia discorreu por quase uma hora, sobre seu mergulho na obra de Lima Barreto, a partir de um olhar mais antropológico. A escritora, que organizou “Os Contos Completos de Lima Barreto” recentemente lançado pela Companhia da Letras, agora aprofunda-se  na “persona ambígua” que foi Lima Barreto, sob o ponto de vista da questão racial.

“A biografia de Lima Barreto escrita por Francisco de Assis Barbosa é memorável. No entanto, não aprofunda a questão racial na produção do escritor. O problema de fundo é pensar como são os limites e a especificidade da modernidade no Brasil. Por exemplo, grupo de famílias negras que tem uma certa ascensão após a abolição e sofre decadência  na Primeira República. Vamos ver como Lima Barreto vai  desenvolver uma atitude ambivalente nesse momento.  Ele vai agenciar sua cor em muitos sentidos. Eu vou divergir da vitimização excessiva que fazem do escritor e mostrar como população negra agenciou a sua condição”, explica Lilia.

Partindo de entrevistas, textos, romances inconclusos e contos, Lilia Schwarcz vem descobrindo pouco a pouco um perfil de Lima Barreto ainda pouco explorado e ambíguo, sob vários aspectos. “Ele que morava no subúrbio, diz em ‘Clara dos Anjos’ que ‘o subúrbio é o refúgio dos infelizes’. Clara dos Anjos, inclusive, é uma espécie de alter ego feminino de Lima Barreto. A ambiguidade do pensamento de Lima Barreto perpassa também pelo fato dele, por exemplo, apesar de contestar a hegemonia da Academia Brasileira de Letras (ABL), ter se candidatado em três ocasiões, para ingressá-la. Em outros momentos, ele ironiza a voz do povo, como se tivesse marcando uma diferenciação dele, no meio desse povo”.

A biografia de Lima Barreto, que ainda está longe de ser concluída, deverá polemizar tanto quanto outras publicações da escritora. “Temos muitos ‘Limas Barretos’”, disse. Resta saber se o novo perfil do escritor traçado por Lilia Schwarcz, irá satisfazer à maioria de seus admiradores.

Legenda da Foto: Lilia Schwarcz (em primeiro plano) pesquisa a obra de Lima Barreto sob o viés da questão racial

Crédito da Foto: André Moreira

2 comentários:

luiz alberto Tavares disse...

Gostaria de saber se a escritora tem alguma previsão para a publicação deste livro sobre Lima Barreto. Estou fazendo mestrado e meu objeto de pesquisa é este grande autor.
grata,
Eva Volite Coelho

Bangalô Cult disse...

Eva, bom dia!!
Como eu escrevi na matéria, "a biografia está longe de ser concluída". Bom, já passou um bom tempo desde que ela esteve por aqui e falou sobre o assunto.
Mas acredito que quando essa data do lançamento chegar, será amplamente divulgada pela imprensa (incluindo o Bangalô Cult)
Abs