quinta-feira, 21 de março de 2013

O Super Marat

Marat Descartes_foto de Marcos Camargo_http://bangalocult.blogspot.com
Marat Descartes protagoniza "Super Nada"



Prestem atenção neste nome: Marat Descartes. Ele é a alma do filme “Super Nada” de Rubens Rewald, em cartaz no Cine Cult do Cinemark Riomar, a partir da próxima terça-feira, às 20h.

O ator paulistano- que já mostrou sua versatilidade interpretando um pai de família atormentado por vizinhos na periferia em “Os Inquilinos” (2009), um desempregado de classe média à margem da esposa em “Trabalhar Cansa” (2011) e o traficante Maicon em “2 Coelhos” (2012)- agora vive Guto, que “se vira nos 30” fazendo esquetes, performances nas ruas e pequenos números humorísticos em teatros decadentes para sobreviver.

Ele alimenta o sonho de, um dia, ser um ator reconhecido, como já foi o seu ídolo, o palhaço Zeca (Jair Rodrigues). Protagonista do programa televisivo, Super Nada, Zeca está se despedindo do mundo que Guto quer entrar. A sorte parece mudar de rumo, quando em uma de suas apresentações triviais, Guto é convidado para fazer um teste de participação no Super Nada.

A empreitada dá certo e a gravação do episódio fica pré-agendada. Nesse ínterim é que o filme dá uma guinada. Guto e Zeca aproximam-se, o ídolo vai parar na casa do fã por conta de uma bebedeira e entra em conflito com este, por conta da namorada (Clarissa Kiste). O filme não se decide pelo gênero comédia ou drama, mas o hibridismo lhe cai bem.

O cerne da trama é o embate entre o pupilo e o mestre, ambos com carreiras bastante instáveis, mas cada um com perspectivas diferentes. Enquanto Guto aspira por um “lugar ao sol”, Zeca luta para que os holofotes não se apaguem. Conseguirão alcançar seu intento ? 

Se na ficção paira uma dúvida, fora da tela, tudo vai bem. O personagem Guto, escrito especialmente para Marat Descartes, pelo diretor e roteirista Rubens Rewald, caiu-lhe como uma luva. Tanto assim, que venceu o Kikito de Melhor Ator, no Festival de Gramado do ano passado. O cantor e compositor Jair Rodrigues também não decepciona, compondo um Zeca cínico e bem humorado.

A co-produção Brasil/México não nega, desde sua primeira sequência, que é um filme sobre atores e de atores. O roteiro, no entanto, é irregular e não se aprofunda em algumas subtramas interessantes, como por exemplo, a relação de Guto com sua filha (Lygia Macedo Campos) e sua mãe (Denise Weinberg).

Ainda assim, “Super Nada” merece ser descoberto, por se incluir numa linhagem do cinema brasileiro que trata de questões contemporâneas, como a situação das cidades, das relações humanas e da mídia.

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