sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: Lincoln ou Argo ?

Há menos que os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográfica que elegem os filmes vencedores do Oscar, queiram surpreender esse ano, dificilmente a estatueta dourada de Melhor Filme, sairá das mãos de Steven Spielberg por “Lincoln” ou Ben Afleck por “Argo”. O que será uma pena! Ainda prefiro “Django Livre” de Quentin Tarantino ou “A Hora Mais Escura” de Katryn Bigelow à verborragia política de “Lincoln” e ao insosso “Argo” (ou seria “Argh”?).

Se eu tivesse o direito de voto, escolheria o filme mais impactante do ano passado, com interpretações primorosas e uma história de arrepiar, cujas imagens reverberam na mente do espectador por um bom tempo: “Amor” de Michael Haneke. É o meu favorito. Tanto na categoria Filme, como na de Filme Estrangeiro. Mas uma produção dirigida por uma alemão, falada em francês e que trata de tema tão contundente como a finitude humana (de uma forma que não ousarei revelar aqui), conseguiria arrebatar os conservadores da Academy ?

Haneke deve ganhar pelo menos uma estatueta. “Amor” é o favorito como Filme Estrangeiro, apesar do dinamarquês- “O Amante da Rainha” de Nicolarj Arcel e do canadense “A Feiticeira da Guerra” de Kim Nguyen, serem concorrentes fortes. O chileno “No” de Pablo Larraín e o norueguês “Kon-Tiki” de Joachim Ronning e Espen Sandberg correm “por fora”. Aguardemos...

Quanto ao Melhor Diretor, depois da polêmica em torno da exclusão dos nomes de Bigelow e Afleck, que ficaram fora do páreo, Ang Lee e Spielberg aparecem como favoritos. O versátil Lee (“O Tigre e o Dragão”, “O Segredo de Brokeback Mountain”) mostrou que sabe conduzir uma aventura dramática em 3D, como ninguém. Concorre por “As Aventuras de Pi”, uma produção que fez lembrar aos adultos de como cinema é pura magia, adaptada do romance de Yann Martel.

Já Spielberg, espera há 15 anos pela oportunidade de levar para casa sua terceira estatueta (ganhou por “A Lista de Schindler” (1993) e “O Resgate do Soldado Ryan” (1998)). É bem verdade que fez um belo trabalho à frente de “Lincoln”, imprimindo uma direção contida, num filme intimista sobre uma passagem da vida do 16º presidente dos EUA. Mas isso seria suficiente para laureá-lo?

Não seria nada mal, se Michael Haneke (olha ele aí, de novo) vencesse. A academia se redimiria pela sua derrota, há três anos, quando perdeu o Oscar de Filme Estrangeiro, pela “A Fita Branca”. Correm por fora o competente David O. Russel de “O Lado Bom da Vida” e o estreante Benh Zeitlin do superestimado “Indomável Sonhadora”.

Quase uma unanimidade aposta em Daniel Day-Lewis como o vencedor na categoria Melhor Ator. Ninguém tem dúvida dos seus dotes interpretativos. Construiu um Abraham Lincoln tão convincente, que eu poderia jurar, que aquela figura me é familiar. No entanto, Day-Lewis tem um forte concorrente: Joaquin Phoenix. Ele encarna, magistralmente, Freddie Quell em “O Mestre” de Paul Thomas Anderson.

Com uma atuação histriônica (que para uns, pode parecer exagerada), Phoenix mergulha sem riscos no papel de um marinheiro traumatizado pela Segunda Guerra e que tem na figura de “O Mestre” Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman), um líder religioso a ser seguido. Hoffman também concorre na categoria de coadjuvante e Amy Adams, vivendo sua esposa, na de atriz secundária.

Não seria nada mal se ele vencesse o favorito Tommy Lee Jones (por quê tantas indicações para “Lincoln” ?). Contudo, quem merece a estatueta (de novo) de Coadjuvante é Christoph Waltz como o caçador de recompensas em “Django Livre”. Aliás, ele deveria concorrer como principal, não? Quem leva o filme nas costas é seu personagem, o falso dentista King Schultz.

Dizem que esse é o ano de Jennifer Lawrence, mas se a Academia quiser fazer justiça (uma vez na vida, que seja), não tirará a chance (talvez única) de Emmanuelle Riva levar o Oscar para casa por sua atuação em “Amor”. Aos 85 anos, Emmanuelle disputa com uma guria de 09, Quvenzhané Wallis, e jovens atrizes “quase veteranas”, como Naomi Watts e Jessica Chanstain. Essa última, aliás, está ótima como a agente da CIA, Maya, em “A Hora Mais Escura”. Se não fosse a atriz francesa, preferiria Chanstain posando para as fotos com o prêmio.

Na lista de coadjuvantes, chamo a atenção para Anne Hathaway que está bem como Fantine, em “Os Miseráveis”, mas convenhamos: premiá-la pelo trabalho de uma cena apenas? É demais. Sally Field está meio caricata como a esposa de Lincoln e Jacki Weaver, coadjuvante ao extremo em “O Lado Bom da Vida”. Não vi o trabalho de Helen Hunt em “As Sessões”, mas Amy Adams não deveria sair este ano de mãos vazias.


Páreo duro terá a categoria Roteiro Original. Quem merece o prêmio: Quentin Tarantino por “Django Livre” ou Mark Boal “A Hora Mais Escura” ? De certo mesmo, para ganhar o Oscar 2013, só a canção “Skayfall” defendida por Adele. Nos últimos dois anos, a moça não perdeu nada do que concorreu.

3 comentários:

Ian Rebouças disse...

Em época de Oscar, minhas apostas para os bolões que acontecem (incluindo o daqui) sempre me dividem entre os que eu mais gostei e torço para que ganham e os que eu acredito que a Academia irá privilegiar. Aposto no Argo para melhor filme mas sem dúvida alguma Django foi o mais empolgante dos que disputam, porém se ele levar a estatueta acredito que será uma zebra. A mesma coisa quanto a Ator Coadjuvante. Torço muito para o De Niro levar, foi muito bom vê-lo fazendo um papel de verdade e à altura do potencial dele depois de tanto tempo. Apesar de uma revista americana colocar o De Niro em pé de igualdade com o Tommy Lee Jones em termos de chances de ganhar, acredito que ficará com esse segundo muito provavelmente. E para finalizar, quanto a Roteiro Original, sou inteiro vibrações positivas para o Wes Anderson e o Roman Copolla pelo roteiro de Moonrise Kingdom (filme que por sinal merecia maiores indicações, mas não entrarei nessa questão). Um dos melhores filmes de 2012, na minha opinião, com uma história inusitada, muito bem amarrada e que consagra o Wes Anderson como um dos grandes diretores que surgiu nas ultima década e meia.

Bangalô Cult disse...

Ian, o páreo está duro em várias categorias. A safra foi boa no ano passado, por isso, apesar de alguns favoritos, pode haver surpresas e, nem por isso, a premiação tornar-se-á injusta.
Mas parece que vc não viu "Amor" do Michael Haneke. Talvez, quando assistir, mude de opinião. Talvez, não.
Porém, é incontestável, que ele é CINEMA com letras maiúsculas.
A propósito, acabou de ganhar cinco prêmios César na França (o equivalente ao Oscar nos EUA).

Ian Rebouças disse...

Olha, e o "pior" é que eu assisti ao "Amor" sim. O oscar de filme estrangeiro para ele é marmelada, levará sem surpresas(apesar de disputar contra o excelente "No"). É, sem dúvida alguma, um filme forte, com, como você mesmo disse, imagens que "reverberam na mente do espectador por um bom tempo" (uma pena eu não poder citar aqui, por motivos de evitar spoilers para possíveis desavisados, duas cenas que foram um tremendo choque para mim, mas você deve imaginar exatamente quais são). A Emmanuelle Riva está excelente (e concordo de novo com você, quando disse que o Oscar de melhor atriz deveria ir para as mãos dela). Porém, por mais que seja e esteja recentemente sendo aclamado pela crítica, o cinema do Haneke não me salta aos olhos. Já não tinha achado o "A professora do piano" um excelente filme, e o "Amor" me fez pensar que talvez meu problema seja com o austríaco. Não me atrevo a tentar adivinhar ou ao menos apontar o que não me agrada no cinema dele, talvez eu deva assistir ao "Violência Gratuita" (o austríaco, não o remake hollywoodiano) antes de entrar em todo próximo filme dele com um pé atrás.