terça-feira, 11 de junho de 2013

"O Fole Roncou!" será lançado no XII Fórum do Forró




Nem só de Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Anastácia, Humberto Teixeira e Zé Dantas é composto o time de artistas que ajudaram a popularizar o baião pelo Brasil. Nomes menos badalados pela mídia e conhecidos pelo público como Trio Mossoró, Marivalda, Zé Calixto, a dupla Antônio Barros e Cecéu, Messias Holanda, Onildo Almeida, Gordurinha e Zé Marcolino são lembrados também pela dupla de escritores paraibanos, Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, no livro “O Fole Roncou!: uma história do forró”, a ser lançado em Aracaju, amanhã, à noite, na abertura do XII Fórum do Forró, no Teatro Atheneu e, comentado, na sexta-feira, às 19h, na palestra homônima realizada pela dupla de autores.

Lançado ainda no final do ano passado, pela Zahar Editora, o livro robusto, de quase 500 páginas, traça um panorama dos personagens que contribuíram para disseminar o baião para outras regiões do país, sobretudo no Sudeste. No primeiro capítulo, é possível conferir o início da carreira de Luiz Gonzaga, ainda garoto, acompanhando o pai Januário (oito baixos) nas festas da região onde morava, em Exu (PE).

Já no capítulo seguinte, o leitor depara-se com o surgimento de uma das vozes femininas mais marcantes do universo do baião, que se tornaria a Rainha do Xaxado, a cantora Marinês, além do despontar de Zé Dantas como compositor e parceiro do Velho Lua. À medida que os jornalistas Carlos e Rosualdo vão apresentando, paulatinamente, aos leitores, os intérpretes e compositores que fizeram (e fazem) a história do forró, utilizam como pano de fundo da narrativa, a realidade sócio-política-econômica da época, com a consequente migração dos nordestinos para a região Sudeste.

Nos últimos capítulos de “O Fole Roncou!: uma história do forró”, os autores fazem menção ao surgimento do “forró elétrico” liderado pela banda Mastruz com Leite.  Após a saturação dessa e outras bandas similares, como Magníficos, Limão com Mel, Baby Som, o “forró universitário” começou a ganhar terreno sem, no entanto, deixar de explorar os grandes clássicos do baião.

O leitor mais atento sentirá falta da história de Gerson Filho (citado pouquíssimas vezes no livro) e poderá “torcer o nariz”, ao constatar a ausência da esposa Clemilda, ambos alagoanos, radicados em Sergipe, ao folhear “O Fole Roncou!”. Mas Rosualdo apressa-se na defesa e justifica-se. “Devemos lembrar que o livro, um trabalho eminentemente jornalístico e não acadêmico, se propõe a contar ‘uma história do forró’, não ‘a história’. São tantos personagens, tantas possibilidades, quase todas até então inexploradas, que seria muita pretensão nossa querer fazer um livro definitivo. Gerson Filho e Clemilda deram, sim, uma contribuição valiosa para essa história, como muitos outros que poderiam ter ocupado espaço maior ou ter sido citados, mas acabaram ficando de fora. Nossa intenção é que este livro estimule a produção de outros trabalhos, que complementem essa história, que se detenham em aspectos e em artistas de grande valor e que infelizmente, por limitações logísticas ou editoriais, deixamos de fora”.

A ideia para concepção do livro surgiu de uma lacuna que o jornalista Carlos Marcelo sentiu como leitor. “Procurava por livros que contivessem partes da história de um dos gêneros mais populares da música brasileira e, ao contrário do samba e da bossa nova, encontrava bibliografia reduzida e concentrada em dois dos maiores expoentes, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Depois de conversas com o maestro Marcos Farias, filho de Marinês e Abdias, confirmei a impressão inicial. Então, convidei o amigo Rosualdo Rodrigues (que topou na hora), para se juntar no projeto de tentar contar, de forma panorâmica, uma parte representativa dessa história, na qual não só os grandes nomes fossem enfocados, mas também houvesse o devido destaque para outros artistas, menos badalados pela mídia, como a própria Marinês, Zé Calixto, João Gonçalves e Geraldo Correia — o “João Gilberto dos 8 baixos”, explica.

Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues trabalharam em duas etapas para a formatação de “O Fole Roncou!”. Na primeira, para a realização das mais de 80 entrevistas, eles fizeram viagens, em separado, para Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Caruaru, Pesqueira, Campina Grande, Natal, Caicó, João Pessoa e Fortaleza. “Depois de avaliarmos o que tínhamos obtido nessas conversas, fizemos uma espécie de ‘roteiro’ dos capítulos e dividimos as tarefas. Depois, por e-mail, mandávamos as primeiras versões de cada capítulo e fazíamos acréscimos, supressões e sugestões até chegarmos a um resultado que fosse considerado satisfatório por ambos. Foi um trabalho muito orgânico, a tal ponto que hoje não consigo apontar com precisão um capítulo que eu tenha escrito inteiramente ou que tenha sido escrito exclusivamente pelo Rosualdo”.      

Segundo Carlos Marcelo, do início das pesquisas até a realização das entrevistas, foram quase dois anos de trabalho pesado. Depois, os escritores levaram pouco mais de seis meses no trabalho de redação, checagem e edição. “Um trabalho muito cansativo, porque foi realizado em paralelo com nossas atividades profissionais (ambos somos jornalistas de redação) e nas nossas férias. Mas também que chegou ao fim na data prevista graças ao suporte efetivo da nossa editora, a Zahar, que ‘abraçou’ o projeto de forma entusiasmada e aguerrida, das primeiras reuniões até o lançamento”.

Quando questionado se o forró autêntico ainda tem espaço na mídia ou virou “uma peça de museu”, Rosualdo Rodrigues é categórico. “O chamado forró de raiz sobrevive nos salões de norte a sul do país, em um circuito, digamos, alternativo, mesmo sem um grande espaço na mídia. Não como peça de museu, mas como uma vertente do gênero que, mesmo ofuscada, não é anulada pela imensa popularidade do forró dito eletrônico. No Centro-Oeste e no Sudeste, ele tomou muito fôlego a partir da onda do forró universitário. Hoje em dia, são muitos os trios de forró pé-de-serra e os festivais dedicados a esse tipo de forró (como o de Itaúnas, no Espírito Santo, e o Rootstock, no litoral paulista). No Nordeste, sanfoneiros como Waldonys, no Ceará, e Targino Gondim, em Pernambuco, seguem a trilha da tradição com um trabalho respeitável. Veteranos como Anastácia e Genival Lacerda continuam em atividade, sobrevivendo do forró que fazem… Além do mais, os ritmos como baião, xote, xaxado e outros que colocamos sob esse rótulo de forró não estão apenas no trabalho dos forrozeiros. Eles aparecem no repertório de artistas pop, roqueiros, seja explicitamente ou como influência. Então, não dá para falar do forró como peça de museu, é um gênero que se transforma e se diversifica”.

Para aqueles que adquirirem o livro no primeiro dia do XII Fórum do Forró, os autores avisam que autografarão os mesmos na sexta-feira, após a palestra “O Fole Roncou”, marcada para começar às 19h. O evento gratuito, que tem início amanhã, à noiteno Teatro Atheneu, presta homenagem esse ano, aos compositores Onildo Almeida, João Silva e Erivaldo de Carira. Na noite de abertura, os homenageados receberão o Troféu Gerson Filho e a Profa. Elba Braga Ramalho proferirá palestra sobre o tema “Luiz Gonzaga e a Síntese Poética e Musical do Sertão”.

Além do livro “O Fole Roncou!” de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues também serão lançados na noite de abertura do XII Fórum do Forró, os livros “Luiz Gonzaga: a síntese poética e musical do sertão” de Elba Braga Ramalho e “Luiz Gonzaga: 100 anos do eterno rei do baião” de José Marcelo Leal Barbosa.

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