sábado, 29 de novembro de 2008

28a Bienal de São Paulo: Vazio Repleto ?


No próximo dia 06 de dezembro, será encerrada umas das mais polêmicas bienais paulistas. Considerada como a "Bienal do Vazio" por ter deixado o segundo piso completamente aberto, sem interferência de obras de arte- excetuando sua imponente arquitetura, claro- a 28a edição dividiu opiniões mais do que nunca.

Os pichadores sentiram-se atraídos e deixaram suas marcas no vão aberto logo no primeiro dia de visitação. Resultado: trabalho duro na segunda-feira, para que no dia seguinte, tudo estivesse limpo e sem as marcas do vandalismo.
Os visitantes acostumados ou não com o mega evento, depararam-se com um terceiro piso quase monocromático, com predominância da bege (cor dos suportes das obras e cadeiras ao redor de algumas delas) e sem a profusão de inventividade (ou a falta dela) comum às últimas bienais.

Os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen justificaram a mudança radical, como um meio de se refletir com relação à produção artística da atualidade e a importância das bienais nos tempos atuais.

O problema é que para os debutantes em visitação de uma bienal (como eu) tornou-se uma grande frustração. Eu queria uma profusão de cores, de obras, de ousadia. Poucas foram as obras que me deixaram impactadas. Prá falar a verdade, quase nenhuma. Chamo a atenção da videoinstalação de Marina Abramovic; do Jornal Museumuseu de Mabe Bethônico; da instalação interativa de Armin Linke e da obra Song Remains The Same de Joe Sheehan.

Afinal, a crise é só de criatividade ou financeira também?
Bom, mas não há nada que seja de todo ruim. E o que percebi de ponto positivo nessa bienal, foi a programação paralela com exibição de filmes, conferências (não só com críticos de arte, mas também com alguns dos artistas participantes desta edição), performances e a transformação do piso térreo em um grande espaço de sociabilização.
Sorte daqueles que estão em São Paulo, podendo acompanhar tudo isso. Porém, para os outros que só puderam conferir a exposição propriamente dita (meu caso), fica o gostinho de que na trigésima edição, em 2010, o circuito das artes já tenha ganho um novo fôlego.

Foto 1: Videoinstalação que traz as magníficas performances da atriz Marina Abramovic

Foto 2: Contracapa da "Agenda do Fim dos Tempos Drásticos" de Javier Peñafiel

Texto: Suyene Correia


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