sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CineSesc recebe 8a Mostra Mundo Árabe de Cinema

Foi aberta, ontem, à noite, no CineSesc, em São Paulo, a 8a Mostra Mundo Árabe de Cinema, patrocinada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e sob a iniciativa do Instituto da Cultura Árabe (ICÁrabe). Ao todo, serão exibidos até o dia 1o de setembro, 20 títulos de países como Emirados Árabes Unidos, Palestina, Argélia, Líbano, Egito, Marrocos, Kuwait, Catar, Tunísia, Iraque, além de obras do Brasil, Argentina e Espanha. Entre eles, “Cinco Câmeras Quebradas” do diretor palestino Emad Burnat, que foi indicado ao Oscar 2013.

Este ano, a mostra está dividida em dois segmentos: “Mundo Árabe”, que traz filmes de grande repercussão nos últimos festivais, além de obras clássicas e inéditas no Brasil. A seção exibe também obras cedidas pela Casa Árabe da Espanha. O segundo segmento, “Diálogos Árabes Latinos”, exibe produções brasileiras e latino-americanas sobre a temática da imigração árabe na América Latina.

A mostra é resultado de parceria com o Cine Fértil, grupo que tem a proposta de exibir filmes árabes na Argentina e que também organiza o Festival Internacional de Filmes Árabes Latinos. Entre os filmes argentinos que serão exibidos no evento está "Beirute-Buenos Aires-Beirute" do diretor Hernán Belón. A produção conta a história de Grace, uma jovem portenha, de origem libanesa, que deixa a capital de seu país para ir a Beirute descobrir o que aconteceu com seu bisavô, Mohamed, que abandonou sua família na Argentina há 50 anos.

Outro título do país vizinho que integra a mostra é "1001 Noites Patagônicas" do diretor Javier López Actis, uma história de amor que acontece durante uma viagem de 800 quilômetros, indo de Bariloche à planície de Somuncurá. “Hoje, há filmes feitos por descendentes e por não descendentes. A valorização da cultura árabe não é uma prerrogativa dos descendentes, é algo da sociedade brasileira”, avaliou o diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, ponderando sobre a produção de obras relativas à imigração árabe no Brasil.

Entre os filmes de países árabes, o destaque da mostra vai para “Cinco Câmeras Quebradas” do diretor palestino Emad Burnat. O documentário mostra a vida do próprio diretor da obra, que filmou violações israelenses, incursões policiais e protestos não violentos contra a ocupação de Israel na vila de Bilin, ao nordeste de Ramallah. O título do filme refere-se às cinco câmeras que foram destruídas pelos soldados israelenses enquanto Burnat filmava a luta do povo de Bilin.

De acordo com Geraldo de Campos, diretor cultural do ICÁrabe e um dos curadores do festival, a política e a questão da mulher são temáticas sempre presentes nas obras exibidas no evento. “A grande riqueza da mostra é apresentar a extrema complexidade dessa sociedade, a diversidade da cultura árabe. A realização do "Cinco Câmeras Quebradas" já mostra a dificuldade de se produzir cinema no mundo árabe”, explicou.

Para o curador da mostra, com o processo de revolução pelo qual passam alguns países árabes, o cinema voltou a ganhar um “papel muito importante” para aquelas populações. “São sociedades que estão tentando se reconstruir, se reinventar, e as artes têm sido essenciais nestas sociedades”, avalia.

O Rio de Janeiro recebe o evento de 4 a 16 de setembro.

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