domingo, 12 de julho de 2009

Paulo Francis: Ame-o ou Odeio-o

Se teve um filme que dividiu opiniões até o momento em Paulínia, esse foi o documentário "Caro Francis" de Nélson Hoineff, exibido na noite de sexta-feira.

Em competição, o documentário- que segundo o diretor, é um 'diálogo' entre ele e Francis- conseguiu formar uma legião de admiradores, assim como acontecia com o irreverente jornalista, mas também houve quem achasse o filme maniqueísta, no sentido de mostrar um Francis humano demais, sensível e menos intragável.

O doc mostra um dos jornalistas mais polêmicos que o Brasil já teve, sob a ótica de muitos amigos (Kiko Junqueira, Ségio Augusto, Boris Casoy, Diogo Mainardi, Daniel Piza, Hélio Costa, entre outros) e pouquíssimos desafetos.

Talvez essa parcialidade fosse com que realmente Hoineff quisesse trabalhar. Afinal, no debate da manhã de sábado, ele chamou a atenção de que o filme não é biográfico, mas calcado em vários 'nós'. Um deles seria a frustração de Paulo Francis como escritor, que nunca deslanchou o suficiente, tanto quanto no jornalismo.

Outro ponto enfocado por Hoineff é a saída do irreverente articulista da Folha de São Paulo, bem como sua mudança ideológica (esquerda para direita) e o caso que desencadeou uma ação contra ele, pela Petrobras, que pode ter sido o prenúncio de sua morte por infarto.

"A ideia é trazer um Francis pouco conhecido da maioria. Se o filme for lembrado em função disso, para mim será um êxito", disse Hoineff.

Uma das cenas mais piegas, na minha opinião, é quando a viúva de Paulo Francis, Sônia Nolasco, lê uma carta escrita pelo marido, há mais de 20 anos, endereçada ao diretor. Nessa carta, ele discreve o sofrimento da gata Alzira (uma espécie de filha do casal), lutando contra uma doença terminal e seus últimos dias de vida.

Segundo o diretor, Sônia não sabia o que de fato iria acontecer na cena e, foi pega meio que de surpresa. "Foi uma cena totalmente experimental, que funcionou como imaginei", disse Hoineff.

Bom, se era pretensão dele fazer algo na linha do Mike Leigh, perdeu tempo. Porém, não posso negar que me divertir revendo algumas passagens de Paulo Francis na telona e conhecendo imagens, até então inéditas para mim.

Incólume ele não passará...

Texto e Fotos: Suyene Correia

Foto: O diretor Nélson Hoineff explana sobre sua abordagem sobre o amigo Paulo Francis, em "Caro Francis"
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