segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mary e Max: feitos um para o outro?

Não conhecia o trabalho anterior de Adam Elliot ("Harvie Krumpet" de 2003, pelo qual levou o Oscar de Curta em Animação), mas ao ver fotos desse seu filme mais recente, "Mary e Max", na internet, minha curiosidade ficou aguçadíssima e, à primeira oportunidade de conferi-lo, o fiz.

Esta animação em stop-motion, decididamente, não é para crianças. A atmosfera depressiva que toma conta do longa tem até uns momentos cômicos, mas o que predomina durante os 92 minutos de projeção é o desejo dos protagonistas- Mary Daisy Dinkle, 8 anos e Max Jerry Horowitz, 44 anos- de se tornarem grandes amigos em meio às suas vidas emocionalmente fragilizadas.

Ela é uma garota solitária que vive em Melbourne com uma mãe alcooólatra e um pai ausente. Sua vida sem brilho toma um novo rumo quando, despretensiosamente, decide escrever para alguém, do outro lado do mundo. O destinatário escolhido aleatoriamente numa lista de endereços dos Correios é um judeu também solitário que mora numa cinzenta New York. A partir da troca de correspondências e pequenos presentes, ambos discutem sobre os mais diferentes temas, como religião, sexo, amor e amizade em meio a muito sofrimento.

Sofrimento traduzido pela "espera" das cartas de Max que demoram a chegar (ou, às vezes, nem chegam); das perguntas desconcertantes de Mary, que fazem o obsessivo Max "surtar"; da morte dos parentes de Mary; do internamento de Max numa clínica; da tentativa de Mary abreviar a sua vida; entre outros. 

Com vozes de  Bethany Whitmore e Toni Collette (Mary) e Philip Seymour Hoffman (Max), essa animação praticamente toda narrada e que demorou cerca de cinco anos para ser concluída, é um primor do gênero, sendo ao mesmo tempo encantadora, bizarra, terna e perturbadora. Imperdível!

Texto: Suyene Correia

Legenda da Foto: Max escrevendo para Mary em sua máquina datilográfica

3 comentários:

Fátima Lima disse...

Oi Suyene, passando para conferir as novidades do Bangalo é impossível não se referir a "Mary e Max". Vi em SP e fiquei comovida como em animação ( stop-motion)coisas tão profundas da existência podem ser traduzidas.Outro filme extremamente interessante que está fora do circuito Aju é " O segredo dos seus olhos". Fiquei de cara com as possibilidades presentes no cinema argentino. Valeu o Oscar. Vale a pena trazer para Aracaju numa sessão de arte.

Abraços

Laryssa Viana disse...

Oi Suyene, eu também desde de que vi as imagens do filme fiquei curiosa para assistir também, sabe dizer se chegará aqui?

Beijos Laryssa

noé disse...

Oi Suyene, aqui é o NOÉ de Salvador, seguindo sua dica, fui assistir " Mary e Max, amei, muito bem feito, intrigante....Muito bom mesmo. Abraços!!!