segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Melissa Leo rouba a cena em "O Vencedor"



Tentei ver "Cisne Negro", ontem à tarde, no Riomar, mas o Cinemark não deixou. Explico. Acharam de trocar a tela da sala 4, onde ocorreriam as sessões do filme estrelado pela Natalie Portman, e por conta de um cheiro muito forte, algo beirando o tóxico, que impregnou a sala por conta do novo equipamento, achei melhor salvar minha cabeça de uma enxaqueca daquelas e me dirigir ao Jardins para ver "O Vencedor", que estava com uma opção de horário melhor.

É bom chamar a atenção, que não fui a única a pedir o ingresso de volta, na tentativa frustrada de ver o drama de Darren Aronofsky. Realmente não tinha condição de ficar duas horas sentadas inalando aquele produto (seja lá o que for). A gerência do cinema deveria ter interditado a sala e apenas liberado a mesma, após a confortabilidade de todos os sentidos do cliente estar assegurada. Que fique aqui o meu registro.

Mas como o post é sobre "O Vencedor", mais um desses filmes de boxe que tentam fisgar o espectador pelo lado da superação, vamos a ele. Em primeiro lugar, é preciso chamar a atenção para o fato de que muito mais do que um filme sobre o pugilismo, "O Vencedor" é um filme família, daquelas barra pesada, que somos convidados a conhecer na sua intimidade.

Mãe de nove filhos (dois homens e sete mulheres), Alice  (Melissa Leo, em interpretação irrepreensível) comanda a família de forma quase ditatorial, empresariando a vida do mais novo Micky Ward (Mark Walkberg) - pugilista que serve de 'trampolim' para outros lutadores- e apoiada pela experiência do mais velho, Dicky (Christian Bale) que já teve seus dias de glória no ringue, mas que agora é nocauteado, diariamente, pelo crack.

Deixando bem clara a sua preferência pela 'ovelha negra' da família, Alice chega a colocar Micky em situações limites, só para não perder dinheiro e nem contrariar Dicky. A partir do momento que a garçonete Charlene (Amy Adams) começa a se relacionar com Micky e abre os olhos deste com relação às verdadeiras intenções de sua mãe e do irmão, o jovem lutador escolhe outro empresário e treinador e consegue dar até uma guinada.

Nesse ínterim, Dicky vai preso, Micky tem sua mão quase destroçada por um policial, mas consegue se recuperar a tempo de um novo desafio. Amparado pela namorada e pelo pai , Micky consegue engatar uma sequência de vitórias e quando sua vida parecia entrar nos eixos, recebe a visita do irmão recém-libertado na academia de treino.

Resta agora, ele tomar uma atitude e mostrar que não é tão passivo assim, mas para isso, terá que contar com a colaboração de todos e o bom senso, mesmo daqueles que desconhecem o que seja o real significado dessa palavra. Único momento, ao meu ver, que o diretor David O. Russel amolece a mão. "O Vencedor" descamba para aqueles finais americanófilos e...vamos que vamos.

De qualquer forma, é um filme surpreendente pelos caminhos que o roteiro  (baseado em fatos reais) toma,  e se não fossem as insterpretações seguras de Mark, Christian, Melissa e Amy, nenhuma daquelas cenas realistas de luta serveriam prá nada. 

OBS: Continuo dando o Oscar de Ator Coadjuvante para Geoffrey Rush em "O Discurso do Rei", mas o de Atriz Coadjuvante vai para Melissa Leo (pelo menos, por enquanto).

Legenda da Foto: Dicky, Alice e Micky tentando chegar a um denominador comun em "O Vencedor"
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