quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O 'delírio' de Natalie Portman


Personagens perturbados ou desajustados são marcantes nos filmes do diretor Darren Aronofsky. Basta lembrar do jovem matemático Max em  "Pi", da sexagenária Sarah Goldfarb em "Requiem Para Um Sonho" e de Randy Robson em "O Lutador".

No mais recente filme de Darren, "Cisne Negro", parece que ele delineia a personagem Nina, com características desses outros grandes "pirados" do cinema, só que o que antes era esboço, agora vira desenho de gênio.

Natalie Portman (em atuação oscarizável) vive a  jovem bailarina Nina, que sonha em ser a número 1 da companhia de dança em  que trabalha. Com a aposentadoria precoce de Beth (Winona Ryder, irreconhecível),  o coreógrafo Thomas Leroy (Vincent Cassel) decide escolher uma substituta para protagonizar "O Lago dos Cisnes".

Thomas sabe que Nina não terá problemas em interpretar o Cisne Branco, mas duvida muito que a jovem virginal, seja capaz de encarnar a voluptuosidade do Cisne Negro. Desafiada pelo coreógrafo e cobrada diariamente pela mãe (Barbara Hershey)- uma ex-bailarina que interrompeu a carreira por conta da gravidez - Nina que já tem uma estrutura psíquica frágil, começa a descompensar.

A partir daí, o filme de Aronofsky transforma-se num delírio visual. As alucinações de Nina confundem-se com a realidade, e o espectador sente-se atordoado, às vezes por conta disso, outras ocasiões por conta da câmera do diretor que rodopia juntamente com a bailarina na execução de seu bailado. A trilha sonora assinada pelo britânico Clint Mansell também é perturbadora, com discretos sons que nos fazem lembrar o "bater de asas ", principalmente, quando Nina já está participando do espetáculo, na sequência final.

Alguns críticos apontam um exagero do cineasta em relação ao uso excessivo de visual expressionista (o que discordo) e também porque ele insiste em mostrar a cada instante, a obsessão da bailarina para com o balé de Tchaikovsky (caixinha de música, toque de celular, decoração do banheiro, tudo remete ao Lago dos Cisnes).  A verdade é que Darren Aronofsky nos presenteou com um triller psicológico impactante e permitiu que Natalie Portman exercitasse todo o seu talento interpretativo, no que talvez seja o seu melhor trabalho até então. Oscar para ela...

Legenda da Foto: Nina (Portman) antes de criar 'asas' em "Cisne Negro"

Postar um comentário