quarta-feira, 18 de maio de 2011

E as Salas de Cinema no Centro de Aracaju ?

Difícil saber porque ninguém investe em salas de cinema no centro da cidade. Seria por conta da falta de público? Ou visão pequena dos gestores?

É certo que até o Belas Artes fechou suas portas na metrópole paulistana, mas contabilize quantas salas de exibição existem naquela cidade e quantas (proporcionalmente falando) funcionam aqui, em Aracaju. Talvez, o problema não esteja de fato, na quantidade de salas, mas na qualidade do que é oferecido ao público sergipano.
Excetuando-se os projetos Cine Cult, Sessão Notívagos, Virada Cinematográfica idealizados pelo produtor cultural Roberto Nunes e os filmes que são exibidos no Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe (Curta-SE), nós não temos muito o que comemorar, tendo em vista a programação fraquíssima do multiplex local, que diga-se de passagem, monopoliza o mercado.

É certo que algumas instituições como o SESC (através do Projeto Cine-Olho), o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira (NPDOV) e a UFS, através do Cine Mais, tentam amenizar a carência de exibição de filmes nem tanto comerciais, mas não contam com a estrutura de fato de um cinema.

Então, voltamos ao problema. Aracaju não dispõe de muitas alternativas para aqueles (e não são poucos) que almejam assistir a um filme como "Cópia Fiel", "A Última Estação" ou "A Minha Versão do Amor" só para citar alguns títulos em cartaz na Sala de Arte Cine Vivo em Salvador.

Isso porque, potenciais espaços alternativos, para a exibição desse títulos simplesmente não conseguem sair do papel. Senão vejamos: o Cine da Rua do Turista, que estaria sob a administração da Casa Curta-SE, precisa de R$ 300 mil  para ser equipado. Dinheiro esse que deveria ser liberado pelo Minc, num primeiro momento, mas parece que o orçamento foi rejeitado.

O SESC, que fará uma ampla reforma e ampliação do prédio localizado na Av. Otoniel Dória, até que sinalizou num dado momento, para a possível construção de uma sala de cinema. Mas, fiquei sabendo, recentemente, que o projeto da sala foi abortado e, no máximo, será feito um auditório multiuso. 

Outro espaço que poderia abrigar uma sala de projeção seria o Banese Cultural, com previsão de inauguração para o segundo semestre. O espaço cultural, infelizmente, será dotado também de um auditório, que talvez até possibilite a exibição de filmes, mas não será de fato, um cinema.

Logo, chega-se à conclusão de que, os que poderiam mudar o sentido da história, não o faz, assim como é triste não ver empresas de telefonia celular e bancos investindo mais em cultura, em Sergipe, como fazem em outros Estados. 

Enquanto isso, na Terra do Cacique Serigy, continuamos tendo acesso a filmes da estirpe de "Padre", "O Noivo da Minha Melhor Amiga", "Hop-Rebeldes Sem Páscoa", "Sexo Sem Compromisso". Salvam-se "Um Homem Que Grita" e "O Primeiro Que Disse", mas esses estão escalados para o Cine Cult. E só.

4 comentários:

Marcinha disse...

... e, mesmo assim, ainda precisamos "abaixo-assinar" documentos para tentar aumentar o número de exibições das sessões de cine cult. Quem realmente gosta de cinema se sente bem abandonado aqui em Aracaju, refém dos filmes que vendem... Ótimo post

bjinhos

Bangalô Cult disse...

Então, Márcia, além de "abaixo-assinar", ainda temos que torcer para que os executivos desses multiplex se sensibilizem com nossa causa.
Torçamos!!! Vamos ver no que vai dar.

PATRICIA DANTAS disse...

Parabéns! Belo texto! Agora sinto-me menos sozinha, pois concordo integralmente contido. Quando morava no Rio, frequentava um complexo cultural em Botafogo, o Espaço Unibanco, que, além de ter salas de cinema e uma programação de excelente qualidade, brindava o público com outros gêneros culturais; teatro, artes plásticas etc.. Vivia cheio, dava certo. Mas parece que aqui a iniciativa privada não se empolga, mesmo com os incentivos fiscais...Se for esperar pelo setor público então .....Parabéns pelo post.

Bangalô Cult disse...

Pois é Patrícia, não sei o que acontece com a cena cultural daqui. Parece que dá tudo certo lá fora... basta ver as oito salas que funcionam em Salvador no circuito de Cinema de Arte.
Aqui, as coisas estão desse jeito que vc está vendo.
Abçs