domingo, 7 de abril de 2013

Irandhir Santos, o Camaleão

Irandhir e Cláudio recebendo os prêmios pela "Febre do Rato"



Antes da cerimônia de entrega dos prêmios do 39o Festival SESC Melhores Filmes, ocorrida na quarta passada, interceptei no hall do Cine SESC, para uma rápida entrevista, o ator pernambucano Irandhir Santos. Bastante elegante, vestindo um terno escuro e com os cabelos milimetricamente cortados, o ator em nada lembrava o poeta anárquico Zizo, em "A Febre do Rato" de Cláudio Assis, pelo qual ganharia algumas horas depois, o prêmio de Melhor Ator pela crítica  (o filme ainda venceria nas categorias Melhor Filme- crítica e público-, Melhor Direção- público- e Melhor Roteiro-crítica).
 
Seu último trabalho no cinema, o segurança de rua Clodoaldo de "O Som ao Redor" de Kléber Mendonça Filho, poderá lhe render premiações no próximo ano, na 40a edição deste festival. É esperar para ver. Enquanto isso, vale conferir (ou rever) suas atuações em filmes como "Tropa de Elite 2" de José Padilha, "Quicas Berro D'Água" de Sérgio Machado, "Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo" de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes e "Olhos Azuis" de José Joffily e constatar a versatilidade de Irandhir.
 
Graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco e nascido em Barreiros, o ator de 35 anos, viveu a maior parte de sua infância em Limoeiro, interior pernambucano. Trabalhou no teatro de seu Estado Natal, mas foi no cinema que se notabilizou, recebendo prêmios nacionais e internacionais por suas vigorosas atuações. Abaixo, trechos da entrevista com o ator: 

A cada novo personagem no cinema, você tem surpreendido a crítica e o público e vem galgando sua trajetória como ator. Como é administrar tantos projetos, quase que simultâneos, e manter-se em evidência ?
 
Irandhir Santos- Acho que minha primeira escolha, há sete anos, quando comecei a fazer cinema, foi por pura necessidade. Na época, em Recife, não existia outra maneira de se aproximar dessa arte, senão fazê-la. Bolei essa estratégia prá mim: quero fazer, porque quero me aproximar, porque quero aprender essa arte. Foi uma estratégia, adotada há um tempo atrás, que foi dando certo. Cada projeto eu fui tendo experiências diferentes e esse é um dos pontos também da escolha, para que você tenha uma versatilidade da própria experiência, que te ajuda a crescer nesse sentido.
Mas os projetos eles têm que me 'tomar' também. Eu tenho que me sentir de alguma forma movimentado por eles, mexido, desafiado, porque se não for assim, não vale a pena topar por algo que você não acredita, por algo que você não se sinta cooperando ou somando. São esses elementos que me instigam a escolher os próximos projetos.

Você trabalhou com três cineastas bem exigentes dentro de um set de filmagem: José Padilha, Kléber Mendonça Filho  e Cláudio. Como foi trabalhar com personalidades tão distintas e em trabalhos tão fortes ?
 
Irandhir Santos- Três diretores bem distintos, que têm peculiaridades na sua maneira de realizar trabalhos. O Cláudio deixa seu convite à realização do projeto, instigando as pessoas que ele convida. Desafiando a seu modo, com muita verve, muita força e isso se reverbera também durante as filmagens. Kléber é um pouco mais paciente, anda num ritmo propício...quem conhece Kléber reconhece alguém mais paciente com o tempo das coisas, isso também acaba refletindo no seu projeto. E o Padilha é um cara que é muito objetivo no que faz. Ele te chama e sabe precisamente o que quer com você. Isso é ótimo, facilita o seu trabalho.
São três diretores que têm características distintas, mas em todos eles, há um zelo com a pessoa do ator. Senti-me protegido e sendo muito bem amparado na experiência que tive com os três projetos e com esses três diretores. 

Já tem algum novo projeto engatilhado, lendo algum novo roteiro ?

Irandhir Santos- Engraçado retornar agora a São Paulo, porque em janeiro/fevereiro eu estava filmando um projeto chamado “Obra”, com roteiro e direção do Gregório Graziosi, seu primeiro longa-metragem todo feito em São Paulo. Conta a história de um arquiteto e sua relação com a cidade. Foi incrível porque nunca havia ficado em São Paulo dessa maneira, trabalhando e vivenciando a cidade.  Retornar para Recife e depois voltar a São Paulo por conta desse evento do SESC, a sensação é de que não saí daqui.
Agora, estou lendo um roteiro e conversando com o Roberto Gervitz, que vai realizar um filme chamado “Mãos de Cavalo”, adaptação de um livro de Daniel Galera. Um excelente livro, por sinal.  A gente está na fase da conversação, porque o projeto deverá ser rodado no segundo semestre.

O Papa é argentino e dizem, que "Deus é brasileiro". Para você, Cinema Nacional x Cinema Argentino...
 
Uau!! Você agora me pegou em dois pontos que sou extremamente apaixonado. Cinema nacional, sem dúvida nenhuma, mas o cinema argentino que para ser franco, é um pólo que me interessa bastante. Adoraria trabalhar também com os hermanos.
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