quarta-feira, 20 de julho de 2011

Solidão "Pela Janela"



Noite de sábado, na Casa da Rua da Cultura. Um grupo seleto de 20 pessoas teve a oportunidade de conferir a estreia do espetáculo “Pela Janela” do Grupo Caixa Cênica, que permanecerá em cartaz até o dia 1º de outubro.

Num pequeno quarto, onde a trama é ambientada, o público assistiu atento às performances de Diane Veloso e Tiago Marques, protagonistas dessa peça que é baseada no texto “Fala Comigo Doce Como a Chuva” de Tennessee Williams e faz parte de um projeto do grupo teatral sobre a solidão.

“Era um texto que eu simpatizava e quando vi a possibilidade de montá-lo, o fiz. A princípio, íamos montar um outro espetáculo com o grupo todo, mas foram surgindo alguns imprevistos no meio do caminho e terminou que escolhi esse texto do dramaturgo americano para interpretar juntamente com o Tiago Marques”, explica Diane Veloso.

Em sua narrativa, a peça adaptada livremente pelo Caixa Cênica apresenta a intimidade de um casal, desgastada pela falta de compreensão de ambas as partes. ‘Ela’ e ‘Ele’, personagens sem nomes próprios, mas únicos e centrais do drama, quase não trocam frases entre si, apesar de compartilharem a clausura de uma vida a dois que não conseguem abandonar. Cada qual, sugerindo um diálogo pautado por claves de diferentes tons, apresenta de forma semi-solitária os anseios corrosivos de sua vida fantasiada, manchada por ranhuras amargas e aeradas por sopros desesperados de mudança. Entre as palavras vociferadas, o silêncio é interrompido apenas pelo angustiante barulho da chuva...  

Curto (cerca de 25 minutos) e seco, o espetáculo “Pela Janela” que conta com co-direção de Maicyra Leão, é sustentado pela garra de Diane Veloso. A atriz demonstra segurança no texto, ainda que vez por outra, carregue um pouco na impostação da voz.

O ator Tiago Marques, talvez pelo nervosismo da estreia, demonstrava hesitação em certos momentos e exagerava no tom. Por conta da disposição das cadeiras no quarto, o ator, por vezes, ficava “invisível” para a plateia quando se colocava no chão, falha que deve ser suprimida pela produção, para não comprometer o entendimento da trama.

O cenário idealizado pelo Grupo até que resume bem a atmosfera angustiante da locação descrita no texto do dramaturgo e o espetáculo é amparado pela trilha assinada por Alex Sant’Anna, Alisson Couto e Leo Airplane, enquanto que o figurino ficou a cargo de Erick Marinho.

Quem quiser conferir o espetáculo, ele será encenado todos os sábados, às 20h, na Casa da Rua da Cultura, até o dia 1º de outubro. Ingressos ao preço de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Crédito da Foto:  Zak Moreira
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