terça-feira, 24 de julho de 2012

"Dignidade!" marca os 40 Anos dos Médicos Sem Fronteiras


Dignidade !_capa do livro_bangalocult.blogspot.com

Lançado no mês passado, dentro das comemorações do 40º aniversário da Organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), o livro “Dignidade!” (Editora LeYa) é um petardo para corações sensíveis. Traz o relato de nove grandes escritores (Mario Vargas Llosa, Eliane Brum, Paolo Giordano, Catherine Dunne, Alicia Giménez Bartlett, James A. Levine, Esmahan Aykol, Tishani Doshi e Wilfried N’ Sodré), que convidados pela MSF, vivenciaram situações-limite em diferentes países e acompanharam de perto, o trabalho desenvolvido por esses abnegados profissionais de saúde.

Ao folhear o livro, vamos sendo tomados por sentimentos duplos: em parte de revolta (contra os governantes que não desenvolvem políticas assistenciais mais eficazes e contra milicianos que agem cruelmente contra crianças e mulheres em países africanos), mas também de admiração e espanto para com a dedicação de médicos, psicólogos, enfermeiros, que deixaram o conforto de suas casas em países do Primeiro Mundo e partiram para a ajudar populações quase dizimadas em localidades inóspitas.

Uma das histórias mais impactantes de “Diginidade!” é escrita pela jornalista gaúcha, Eliane Brum. Ela partiu para a Bolívia, mais precisamente para a região remota de Narciso Campero, a fim de contar a história de milhares de pessoas infectadas pelo barbeiro (vetor da Doença de Chagas), que na língua quéchua, recebe o nome de “vinchuca”.

Com o título de ‘Os Vampiros da Realidade só Matam Pobres’, Eliane disseca a angústia de personagens reais que têm medo do coração parar, a qualquer momento, mas que fazem o impossível para receber assistência no departamento de Cochabamba, onde a MSF mantém programas gratuitos para a prevenção e tratamento da Doença de Chagas.

Segundo a jornalista, que já presenteou leitores exigentes com suas belas histórias em “A Vida que Ninguém Vê” (Prêmio Jabuti 2007), a ideia inicial era de escrever um conto de terror, uma ficção. “Mas ao alcançar os povoados rurais, descobri que a Vinchuca era o primeiro vampiro real que conhecia. Tão excessivamente real que não virou mitologia. Então, escrevi a história como eu a vi- e como me foi contada”.

Atordoante é também a história relatada em formato de conto pelo escritor congolês, Wilfried N’ Sondé. Em “As Alturas de Tanganica” ele traça um balanço emocionante do trabalho desenvolvido por equipes obstétricas localizadas no entorno do lago Tanganica, no Burundi. Lutando contra as intempéries e sempre correndo contra o tempo, a ambulância dos MSF desloca-se entre povoados extremos, para salvar a vida de parturientes e  seus bebês.

Difícil não se emocionar com a história de Joséphine e seu marido, Minerve. Grávida de trigêmeos, a jovem que adquiriu uma fístula vesicovaginal num parto anterior, mal sucedido, agora teria outra provação pela frente. Com uma gravidez de risco, ela só poderia contar com a ajuda dos Médicos Sem Fronteiras e dos “céus” para sobreviver e criar sua prole.

Não menos contundentes, são as histórias “Viagem ao Coração das Trevas” de Mario Vargas Llosa; “Phool Gobi quer Dizer Couve-flor” de Polo Giordano; “Khayelitsha, Cidade do Cabo” de Catherine Dunne; “A Proposta” de Alicia Giménez Bartlett; “Makass” de James A. Levine; “Minha Vida Como Uma Bolsa” de Esmahan Aykol e “Uma Cidade Chamada Mon” de Tishani Doshi.


Com prefácio assinado por Dráuzio Varella, “Dignidade!” é um livro que prende a atenção da primeira à ultima página, pela riqueza de detalhes com que os escritores contam suas aventuras, ao mesmo tempo que nos permite entrar em contato dom povos de culturas e costumes distintos.

O livro, que nasceu da parceria da Organização Médicos sem Fronteiras e Editora LeYa, pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo com preço girando em torno de R$ 35. 

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