sexta-feira, 11 de março de 2011

Maratona Cinematográfica (Parte Final)



Vou tentar, resumidamente, falar dos cinco filmes restantes da maratona cinematográfica que participei nos seis dias de estada em São Paulo. Não vou entrar em detalhes sobre "Trabalho Interno", documentário vencedor do Oscar deste ano na categoria, e nem sobre  "A Árvore" porque de fato, nada me acrescentaram. Aliás, o primeiro, confesso que me 'encheu o saco', com seu economês exagerado e um estilo narrativo por demais burocrático. Por pouco, não deixo a sala de cinema no meio da projeção.

Já "A Árvore", dirigido por Julie Bertucelli, eu confesso que esperava mais desse filme dito 'sensível', no que tange à abordagem do luto, mas à medida que o tempo passa, a impressão que se tem é que "já vi coisa muito melhor sobre este assunto". Não basta a ótima atuação da pequena Morgana Davies, fazendo o papel de Simone, única filha do casal Peter e Dawn O' Neil e a exploração visual da paisagem bucólica do interior australiano, para segurar o longa. Daí porque o The End torna-se por demais frustrante.

Falemos de filmes mais interessantes. E para encabeçar a lista dos três restantes, inicio pelo clássico "Violência e Paixão", penúltimo filme de Luchino Visconti, que está em exibição no Cinesesc. O filme de 1974, estrelado por Burt Lancaster, Helmut Berger e Silvana Mangano é uma reflexão sobre o choque de gerações, de classes sociais e do que representa de fato a instituição "família". 

É interessante lembrar que o diretor já estava com sua saúde debilitada (vindo a falecer dois anos depois) quando da ocasião dessa filmagem, mas nem por isso, deixou de realizar uma obra de relevância e de grande teor autobiográfico, ao contar a história de um professor aposentado (Burt Lancaster), que vê sua  tranquilidade domiciliar ser ameaçada, com a instalção de novos inquilinos no andar superior de seu apartamento.  

Um verdadeiro êxtase assistir a esse clássico em cópia restaurada (sem nenhum risquinho, sequer) e numa sala confortabilíssima como a do Cinesesc, na Rua Augusta (quando o SESC daqui irá nos oferecer tamanho deleite ?).

Passando agora, para outro espaço que não merece desaparecer do mapa- o Belas Artes- fui assistir ao tão elogiado "Inverno da Alma" de Debra Granik e se fosse para traduzir em uma frase, a sensação que tive ao acender das luzes, no término da sessão eu diria "Nossa, que porrada!!!

O filme independente merecia mais destaque no Oscar, apesar de ter ganho visibilidade, não só com a indicação de Jennifer Lawrence como Melhor Atriz, no papel da adolescente Ree Dolly, como também com a de Melhor Filme. O fato é que a produção de baixíssimo orçamento, toma  uma dimensão tal, ao retratar  o drama de Ree, passado nas montanhas gélidas de Ozarks, Missouri, sul dos Estados Unidos.

Numa jornada sem precedentes, a garota que vive à beira da miséria com a mãe e dois irmãos mais novos, terá que encontrar o pai fugitivo, para não perder o direito de sua propriedade.  O problema é que para onde olha à sua volta, a garota só encontra hostilidade por parte dos que podem desvendar  o mistério do paradeiro de seu pai.

A trajetória não será nada fácil para a garota e  nem para o espectador , que mergulha no clima de solidão que o filme impõe a cada fotograma. Vamos torcer para que o Cine Cult traga essa pequena jóia à nossa cidade.

Outro filme que merece uma conferida (parece que por aqui, agora, só em DVD) é "127 Horas" de Danny Boyle. James Franco que foi indicado ao Oscar deste ano, na categoria Melhor Ator, realmente encarna de forma competente o alpinista Aron Ralston, que ao decidir realizar uma exploração no Cannyonlands, sem avisar a ninguém, se dá mal.

Literalmente, uma pedra aparece no caminho de Aron, e com parte de seu braço esmagado, ele terá que buscar no autocontrole, a saída para sua sobrevivência. Aliás, são nas cenas bem editadas - que mesclam a realidade da 'prisão' no Canyon e o imaginário publicitário no cérebro de Aron- que Danny Boyle se utiliza para dar dinamismo ao longa.

Os 100 minutos passam rápido, perto dos cinco dias em que o rapaz ficou preso numa fenda, mesmo assim, o espectador torce logo para que aquele sofrimento todo acabe e o momento de triunfo do alpinista seja compartilhado. Aron, aliás, virou uma celebridade após o acidente e não deixando de lado seu espírito aventureiro, continua fazendo das suas, agora munido de um braço mecânico. 

Legenda da Foto: Quando os sergipanos terão a oportunidade de conferir, nos cinemas locais, o talento de Jennifer Lawrence ?
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