segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tragédia Paradoxal

O Bangalô Cult deixa a cultura um pouco de lado e pede um minuto de reflexão sobre a tragédia em Porto Príncipe, capital do Haiti. Todo mundo vem acompanhando dia- a- dia, os últimos acontecimentos, daquela pequena ilha do Caribe, traduzidos em números (de mortos, desabrigados, quantia em dinheiro doada pelos países ricos e nem tão ricos assim, toneladas de alimentos que chegam ao local da tragédia, etc).

O que talvez poucos tenham se atentado é para a discrepância de algumas atitudes (e não sou contra elas, longe disso) de certos países no que diz respeito à sua forma de ser solidário. Senão vejamos, os EUA, que há décadas vem travando uma batalha com o México e com Cuba , no que diz respeito à imigração ilegal, simplesmente mandou aviões para o Haiti a fim de resgatar sobreviventes e levá-los para a Flórida.

Ninguém sabe, no entanto, depois que a "poeira"  baixar, se eles serão devolvidos ao país de origem com a mesma gentileza ou se os poderosos apenas apontarão o caminho de casa pelo mar e, eles que aprendam  a voltar a nado.

Palestinos (que sofrem horrores com a intolerância dos israelenses e vice-versa) enviaram donativos para as vítimas do terremoto, sem deixar de protestar a favor da libertação de parentes em prisões israelenses. Mas quando eles irão olhar para o próprio umbigo e reerguerem o país em frangalhos, em meio aos escombros não de terremotos, mas provocados por homens-bombas ?

Num piscar de olhos, a União Européia anuncia uma doação que pode chegar a R$ 1 bilhão para a reconstrução do Haiti, país paupérrimo, mas nem tanto, perto dos 20 mais pobres do mundo, (Ruanda, Guiné, Serra Leoa, Burundi...) todos africanos. Alguém aí já viu tamanha mobilização para reerguer algum desses países, onde uma criança de 10 anos desconhece o sabor de um grão de arroz ?

Quero deixar bem claro, que não estou aqui escrevendo essas linhas como crítica à ação desses países, no que tange à ajuda ao Haiti. A questão é: quando se quer fazer, se faz. Quando se quer mostrar, faz-se por onde aparecer. Quando se quer resolver, resolve-se. A paz é uma questão de atitude. E só...

Texto: Suyene Correia


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