segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Batalha de Um Homem Só

Hoje, à tarde, fui à Academia Sergipana de Letras (ASL) assistir à palestra do "Homem -Livro". Que felicidade!!! Ver aqueles acadêmicos todos, intelectuais, reverenciando outro intelectual, mas que nunca passou perto de uma escola e nem sabe, ao menos, escrever.

Sim, O Homem-Livro bem que poderia ter inspirado Bernhard Schilnk- autor de "O Leitor"- somente que sob um outro prisma. Ler, ele sabe de sobra e por conta de uma memória privilegiadíssima, citou Tobias Barreto, Fernando Pessoa, Machado de Assis, entre outros, mas falou mesmo foi de sua paixão pelos livros, de como o ser humano precisa ler para sobreviver, dos seus projetos sociais na Vila da Penha, onde mora e comanda uma biblioteca comunitária.

Emocionou-se ao lembrar da mãe, que saiu de Aquidabã com os filhos a tiracolo e foi morar no Rio de Janeiro, batalhando para sustentá-los. Até seis meses atrás, quando ainda estava viva, ela é que "patrocinava" a Associação Centro Cultural e Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes. Agora, o ex-pedreiro Evando dos Santos depende de doações e da boa vontade do mundo.

Aliás, do mundo ele lembrou que os países mais pobres, mais atrasados, são aqueles que têm a leitura como supéfluo e o poder público faz "vista grossa" no que tange ao reaparelhamento das bibliotecas, aquisições de novos livros, contratação de pessoal capacitado. Para Evando, o livro é um alimento, é força, é vida. O livro é essencial na vida de todos, mas....só na cabeça de poucos esse lema tem valor.

Bom, mas depois da proposta feita pelo imortal Luiz Antônio Barreto ao presidente da ASL, Anderson do Nascimento, de que fosse concedida ao Homem-Livro a Medalha do Mérito Cultural Sílvio Romero, quem se emocionou fui eu.

O próprio Evando agradeceu a todos que o ajudaram nessa empreitada (do fazer o Arrastão Literário, das visitas a algumas bibliotecas do interior do Estado), como os "imortais" Gizelda Morais, Domingos Pascoal; a escritora Jeane Caldas; o escritor Gustavo Aragão; a diretora da Biblioteca Epiphânio Dória, Maria Sônia Carvalho, entre outros e disse que fazia questão de me homenagear, dando o meu nome a uma das salas da Biblioteca Comunitária, situada na Vila da Penha, na capital carioca.

Reconhecimento maior do meu trabalho, nunca tive. Fiquei deveras embevecida e honrada com a lembraça. Espero poder  conhecer logo o prédio projetado por Oscar Niemeyer e que abriga a Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes, escritor de quem o ex-pedreiro é um nato admirador.

Obrigada Evando!!! E Volte sempre....

Texto: Suyene Correia
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